Um supervendedor e as 20 gramas de felicidade

Qual o ingrediente necessário para um supervendedor? Para o vendedor Caio Giachetti, um brigadeiro foi a mola propulsora para que ele pudesse ir em busca de seu sonho: viver o mundo. Aliando simplicidade e uma boa dose de criatividade, ele já visitou 29 países vendendo brigadeiro em uma caixa de ferramentas. Mas, deixa que ele te conte mais sobre esta viagem. Confira a seguir a história de Caio Giachetti (ou Caio do Mundo, para quem o acompanha nas redes sociais):

A primeira experiência com vendas

Com 14 anos tive a minha primeira experiência com vendas. Deixava meu RG como forma de garantia para o dono de uma pequena sorveteria e, em troca, recebia um carrinho com 100 picolés. Horas depois, lá estava eu, passando pelas ruas e gritando: “OLHA O SORVETE”!

A dificuldade nem era andar por aí, embaixo de sol, empurrando um carrinho com o dobro do meu peso. Naquela época, quase tudo era divertido para alguém de 14 anos, mas lembro que eu nunca havia recebido algum tipo de orientação de como vender. Dezenas de moleques sem nenhum preparo e representando aquela pequena empresa de sorvetes. Éramos os famosos “tiradores de pedidos”. Quem ouvisse nossos gritos, invadindo suas casas, já saía de lá com os pedidos prontos. 

Desde cedo, percebi que se eu fosse bom com as palavras, poderia fazer qualquer coisa. Na real, eu vendia o tempo todo. Desde uma ideia que fosse para convencer meus pais a me deixarem ir para o baile, até uma explicação para a professora para me deixar entrar na sala, porque cheguei atrasado para o teste. A venda estava em mim e quanto mais êxito eu tinha, mais confiança acumulava para que isso, um dia, me levasse longe. E levou…

Hoje eu viajo o mundo vendendo brigadeiros numa caixa de ferramentas ou qualquer outra coisa que possibilite manter o meu sonho vivo de ser um EMPREENDEDOR NÔMADE, unindo as duas coisas que mais amo: VENDER e VIAJAR.

Depois de 29 países, eu posso dizer, sim! É possível!

O fator mais importante de empreender viajando é a criatividade. É preciso se destacar e foi assim que lá na cidade do Porto, em Portugal, numa certa manhã, enquanto eu fazia uma caminhada, me deparei com uma loja de ferragens. Sem a intenção de comprar nada, curioso que sou, simplesmente vi uma porta aberta e entrei. Quando estava quase saindo, vi uma caixa de ferramentas, azul, daquelas de lata e sem porquê. Ali, me deu um estalo e comprei, por 19 euros. No outro dia, lá estava eu com a caixa de ferramentas na mão e dentro, cheio de brigadeiros, entrei numa loja e o diálogo foi assim:

– Olá bom dia, tudo bem? Eu posso falar com a gerente?

A atendente disse que sim e foi logo chamar a pessoa responsável pela loja. Então, eu a cumprimentei e continuei:

– Eu vim para o conserto.

A gerente respondeu com surpresa:

– Que conserto? Não tem nada para ser consertado.

E eu disse:

– Eu vim aqui para consertar o seu dia.

Então abri a caixa de ferramentas que estava cheia de brigadeiros, e fui logo explicando:

– Eu sou o Caio da Oficina do Brigadeiro e essa bolinha de chocolate contém 20 gramas de felicidade. Quanto de felicidade você precisa no seu dia hoje?

A reação das pessoas que estavam lá foi a melhor possível. Elas riram, elogiaram a ideia e compraram os brigadeiros de forma que eu não precisei insistir ou dar qualquer outro tipo de informação. Muito diferente das vezes anteriores, quando vendia convencionalmente. 

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Vender viajando em diferentes países é uma experiência tão incrível, porque te permite conhecer primeiro a pessoa, o comportamento, a cultura daquele local, seus hábitos, rotinas. E, assim, tendo toda essa leitura natural de um olhar de um viajante, você entende mais o seu cliente e adapta o seu produto para atender àquela necessidade – e não o contrário.

Muitas vezes, ficamos poucos meses em determinado país (sim, ficamos! Eu não poderia deixar de mencionar a minha esposa e parceira de viagem, Carolina Dias, fotógrafa e confeiteira). E por isso é extremamente importante que a taxa de conversão de minhas vendas seja altíssima. Do contrário, uma boa porcentagem da nossa produção irá para o lixo e a chance de apresentar nossos produtos seriam desperdiçadas. 

Alguma ação realizada para fidelizar clientes?

A fidelização só existe quando o cliente volta, mas estamos sempre em movimento, então nesse caso quase não trabalhei com fidelização, exceto em Portugal. Lá ficamos um tempo mais, talvez pelas saudades de falar português e, de certo modo, nos sentíamos em casa, enxergamos um potencial de fazer algo maior. Começamos a fornecer nossos brigadeiros em uma cafeteria e de lá outra, e mais outra… em quatro meses, lá estávamos nós, BOLINHAS de FELICIDADE, abastecendo as prateleiras de 7 cafeterias e 1 restaurante.

Um negócio lucrativo? Sim, mas que exigia muito tempo, devido ao significativo aumento de nossa produção. E mais: geograficamente, não nos permitíamos viver a vida de viajantes. Empreendedores sim, mas não nômades. Então vendemos nossa pequena empresa de brigadeiro e seguimos nossos sonhos. Continuamos empreendendo pelo mundo e aprendemos a equilibrar nosso tempo com trabalho. Nos adaptamos a trabalhar para viver e não viver para trabalhar! Com leveza e sem pressão, assim seguimos. Para nós o sucesso é medido através do tempo que podemos ser felizes. 

Antes, eu sempre acreditava que para viajar o mundo era preciso ser rico ou ter um plano mirabolante para as coisas acontecerem. Agora, apenas vendo brigadeiros! O que quero dizer com isso é que às vezes buscamos soluções tão complicadas e esquecemos aonde está o segredo de todas as coisas: a simplicidade. 

Breve histórico profissional:

  • 2011: Bartender de navio cruzeiro na Pullmantur Cruises
  • 2012/ 2014: Dono de uma loja de roupas masculina
  • 2015: Lavador de pratos da rede Wagamama em Londres
  • 2015: Largo o emprego e resolve empreender pelo mundo (assim até os dias de hoje)

Para saber mais:

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