Supertimes: união de bots e vendedores aumenta produtividade em PMEs

A robotização veio para substituir pessoas? Esse pensamento é contestado pela BotCity, startup focada na automação de processos através de aplicações de RPA (Robotic Process Automation). Para os fundadores da BotCity, o objetivo dos robôs é tornar empresas mais integradas e produtivas. E, assim, liberar o time de vendas para tarefas mais estratégicas, decisivas e voltadas para a gestão de impactos e para o crescimento da empresa. 

De acordo com Lorhan Caproni, CEO da BotCity, o uso de bots não está ligado à substituição de pessoas: “O que ocorre com frequência, em companhias de todos os tamanhos, é que grande parte da equipe contratada passa um tempo importante executando tarefas repetitivas e de baixo valor agregado. Com isso, as empresas desperdiçam talentos e arcam com altos custos alocando esforço humano para trabalhos meramente operacionais”, afirma.

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Por isso, ele defende o que chama de supertimes: a união de bots e pessoas. A BotCity já atendeu empresas onde foi possível diminuir até 142 horas por mês no tempo de operações repetitivas. Criada em 2018, a startup atua para automatizar processos em empresas, especialmente PMEs, por meio de bots inteligentes. Aplicando RPA (Robotic Process Automation) para várias áreas de negócios, a BorCity tem como objetivo apresentar soluções no modelo de “Bot as a Service”.

Para entender como a automação proposta pela startup contribui para a produtividade e para a especialização do time de vendas, conversamos com Lorhan Caproni a seguir.

O que vocês oferecem exatamente na BotCity? Como o seu serviço é diferente das outras empresas similares no mercado?

Na BotCity nós desenvolvemos robôs inteligentes de automação de processos. Basicamente, nossos robôs conseguem ler a tela e usar mouse e teclado como humanos, tornando possível automatizar qualquer processo repetitivo, independente do sistema, plataforma ou planilha que os robôs necessitem operar. O uso de robôs torna a empresa mais integrada, eficiente, e proporciona uma melhor experiência ao cliente.

Na VendaMais somos 100% focados em vendas. Como a BotCity auxilia no que vocês chamam de supertimes, ou seja, a união de bots e vendedores para melhorar a performance e as vendas? Pode compartilhar com a gente alguns casos de sucesso?

supertimes ceo da botcity

Lorhan Caproni, CEO da BotCity

Gostamos muito desse conceito, porque derruba a questão de robôs substituindo pessoas. Não temos nenhum cliente que demitiu pessoas por conta da implantação de nossos robôs. Conversando com nossos clientes, notamos que uma parte considerável do time de vendas é dedicado para a emissão de pedidos, cadastramento de propostas e produtos. Alguns clientes chegaram a relatar até 50% do tempo do time focado apenas nessa etapa “documental”, ao invés de focar em entender necessidades, prospectar e aprofundar relacionamento. Em nosso blog, temos um trecho de conversa com um cliente sobre isso.

Dentre os diversos casos, os principais envolvem centralização de informações quando a empresa possui muitas filiais ou franquias. Nós padronizamos o envio de informação de forma que os robôs possam partir dos pedidos enviados e cuidar de toda a inserção no sistema, acelerando a devolutiva da matriz sobre pedidos e prazos. Também temos casos aqui de clientes com vendas para grandes empresas que utilizam nossos robôs para automatizar o cadastramento de pedidos diretamente na plataforma de compras de seus clientes.

Que tipo de empresa pode se beneficiar deste tipo de serviço?

Nosso propósito em criar a BotCity continua sendo de levar alta tecnologia para PMEs em um modelo acessível. Empresas que querem ganhar eficiência, que necessitam integrar sistemas e planilhas que não se conversam, eliminar erros, mitigar riscos e acelerar seus processos podem se beneficiar muito do uso dos robôs.

Da mesma forma, que tipo de situação a BotCity NÃO se propõe a resolver?

Apesar do Bot no nome, não produzimos chatbots (robôs de atendimento). Também não é possível resolvermos processos interpretativos, ou seja, que não possuem regras claras que possam ser ensinadas ao robô. O robô tem capacidade de assimilar e trabalhar com um grande volume de regras, desde que elas não tenham margem interpretativa, o que dependeria de um humano.

Quais são os erros mais comuns que você vê as empresas cometendo em relação ao uso de robôs e de automação?

Os principais erros que encontramos são:

  • Achar que o usuário final (por exemplo, alguém da área de vendas) deve produzir um robô. Isso pode gerar um alto risco.
  • Tentar automatizar um processo em 100%. Todo processo possui exceções e temos que derrubar o mito da automação 100%.
  • Não padronizar um processo antes da automação.

Dessa lista de erros, qual você considera o mais grave? Por quê?

O mais grave hoje é quando encontramos clientes que imaginam que um usuário final pode usar uma plataforma e construir seu próprio robô. Mesmo com as plataformas intuitivas que existem hoje, a automação de processos não se baseia somente em configurar um “clique aqui” e outro ali. Exigem programação, regras, arquitetura de solução. Felizmente as empresas estão entendendo que o desenvolvimento de robôs é algo sério e que precisa de parceiros especializados para isso.

Quais as principais objeções que vocês enfrentam dos decisores nas empresas para a inclusão desta tecnologia? Como vocês respondem a este receio manifestado por estes potenciais clientes?

A primeira é achar que os robôs vão substituir as pessoas e, nesse caso, levamos todos os nossos casos para mostrar como os robôs funcionam na prática. Rapidamente as pessoas percebem que o robô não vai substituí-las, mas trabalhar para elas.

A segunda é se temos acesso aos dados da empresa. A nossa implantação do robô é em uma máquina interna da empresa, em que os dados rodam na própria rede do cliente e a única comunicação com nosso servidor é sobre a ordem para o robô, e se a ordem foi concluída, portanto não temos acesso aos dados.

Imagine que uma empresa está preocupada em fazer uma transformação digital. Por onde deve começar? De maneira sucinta e objetiva, quais as principais recomendações?

Pessoas e cultura. A chave da transformação digital está em abrir os horizontes e mudar a forma de enxergar a empresa. Entender a tecnologia como ferramenta e não como solução final. Colocar o cliente no centro da equação e entender as suas necessidades. E educação, educação, educação. Quanto mais conteúdo de fora a empresa trouxer para dentro, mais fácil será esse processo. Estamos seguindo nesse caminho educacional, lançando o primeiro curso gratuito sobre automação de processos.

Com tanta experiência na área, quais dicas ou informações você vê divulgadas pela mídia sobre automação com as quais não concorda, acha exageradas ou apenas modismos?

O grande exagero da mídia é colocar as máquinas como pensantes. É isso que mexe com a nossa imaginação e já associamos robôs e inteligência artificial com cenários apocalípticos de Hollywood. Muitas empresas estão adotando “Inteligências Artificiais” que são, na verdade, grupos de pessoas trabalhando dia e noite com dados para melhorar a qualidade de informação. Existe muita “espuma” nesse mercado e muita gente querendo anunciar Inteligência Artificial apenas para mostrar a empresa como inovadora. Já vimos esse movimento em diversas viradas de tecnologia e não será diferente dessa vez.

Quem quer inovar de verdade acaba ignorando o sensacionalismo e focando em seus clientes e processos. E, aí sim, entende a tecnologia como ferramenta que pode ajudar a levar a empresa para outro patamar.

Algum último comentário que queira fazer para os leitores da VendaMais?

Agradeço o convite da VendaMais e meu último recado é que robôs são mais acessíveis do que você imagina. Não se deixe levar pelo sensacionalismo. Se você tem demandas de integrar os sistemas da sua empresa e processos com alto volume, vale a pena analisar e ter robôs na sua operação.

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