Quebrei – Guia Politicamente Incorreto do Empreendedorismo

Nesta semana entrevistei Leonardo de Matos, autor do livro “Quebrei – guia politicamente incorreto do empreendedorismo”. A obra trata o “risco”, “fracasso”, ilusão” e “armadilha” no empreendedorismo. Leonardo nos contou sua trajetória, desde as iniciativas corajosas aos momentos de aflição de onde tirou lições interessantes. Confira.

1) Vamos começar falando um pouco sobre você, Leonardo, para que nossos leitores possam conhecê-lo melhor. Você poderia nos contar brevemente sua trajetória profissional até escrever “Quebrei – Guia Politicamente Incorreto do Empreendedorismo”?

Minha história começa com o aforismo “vô rico, filho nobre e neto pobre” e eu, infelizmente sou o neto. Com 16 anos, assumi a administração do fundo de comércio de um hotel, deixado pelo meu pai, após seu falecimento. Mas eu não queria ser tachado erroneamente de herdeiro e comecei alguns projetos próprios como compra e venda de carro, lavanderia e confecção, que foi o negócio com o qual eu perdi mais de um milhão de reais e quebrei.

2) Olhando para trás, existe algo que você gostaria de ter sabido ou descoberto antes – alguma lição que teria ajudado a superar ou evitar algumas dificuldades pelas quais passou?

Sim, com certeza. Digo que existe arrependimento no fazer também. Eu deveria ter sido paciente. Ter crescido mais lentamente e linearmente. Eu era um sonhador e minha ansiedade me levou a cometer inúmeros erros. Eu estava iludido em um momento que tudo estava bem e foi então que resolvi crescer. Mas eu, não estava pronto para crescer. Inclusive deixei de lado o meu maior talento que é vender, para cuidar do crescimento da empresa. Nunca é tarde, mas o dia de ontem, não volta mais. O que eu deveria ter feito antes de montar a confecção era ter trabalhado em uma primeiro. Ter aprendido o ofício com quem sabe e não ter montado uma. Esse é o meu maior arrependimento. Errar trabalhando para os outros é uma coisa, errar na sua própria empresa, é crise na certa.

3) Agora sobre seu livro. Com tantos livros sobre empreendedorismo já disponíveis no mercado, o que o seu traz de diferente?

O meu livro trata de um assunto, que ainda, ninguém teve coragem de abordar. Assumir o fracasso e falar sobre as consequências de como isso afetou a minha vida financeira e pessoal. Dizer que fiquei negativado e endividado. Recebo e.mails de leitores e ouvintes de minhas palestras me parabenizando pela coragem e iniciativa de abordar um assunto tão delicado. Eu ter quebrado, foi de inteira responsabilidade minha. Porém, abordo de forma realista e clara, as armadilhas em que cai. Esse é o diferencial do livro Quebrei. Vou contra uma corrente cada vez mais forte e perigosa que é a moda do empreendedorismo. Empreender não tem nada de moda. Entrar nessa onda, sem estar preparado, é tombo.

4) Você poderia nos dar um exemplo extraído do livro que resume as principais ideias e conceitos que você defende?

Ao começar meu negócio com a perigosa frase: “Não tem como dar errado”, e ter continuado persistindo com a segunda frase: “Eu não posso parar agora”, que hoje me gela a espinha quando a ouço. Eu deveria ter prestado mais atenção nas entrelinhas e aos sinais vitais meus e da empresa. A ilusão e a expectativa criada de que empreender vai ser o máximo, cai por terra quando se encara o dia-a-dia de uma empresa. Por isso e por tantas, não quero que o mesmo aconteça com outras pessoas. Tome sempre as decisões com as quais você tenha a capacidade de suportar os resultados.

5) De maneira rápida e resumida, que tipo de leitor mais se beneficiaria do seu livro? Que tipo de conselhos ou informação deveriam estar procurando, ou que tipo de problema estariam tentando resolver?

O livro é fundamental para todas as pessoas que pretendem abrir um negócio ou que já estão empreendendo e se encontram com os seguintes dilemas: Devo crescer ou ficar do jeito que estou? Estou com problemas financeiros, o que eu faço? Qual é minha vocação? Eu tenho mesmo capacidade empreendedora? Para quem está fazendo sucesso e me achando o máximo. Problemas com funcionários, clientes, sócios. E também para o funcionário que hoje está trabalhando, está insatisfeito e não vê a hora de montar um negócio próprio. Profissionais liberais, como representantes e gerentes de equipes, é leitura indicada, pois trato de metas e foco de forma simples. Aconselho a tratar as suas carreiras de forma empreendedora. Empreender não é só abrir um negócio. Empreender sua profissão, independente de quem é o patrão. Profissionais de sucesso são aqueles que empreendem em suas carreiras e em seus projetos profissionais.

6) Qual seria a primeira coisa que você gostaria que alguém fizesse depois de terminar de ler seu livro, colocando em prática o que foi visto?

É comum na bonança, se esquecer das tempestades. Gostaria que a pessoa fizesse o seu PCV, papel, caneta e você. Senta e faça uma lista de prioridades de sua empresa ou carreira, e execute o que foi escrito. Fica menos difícil se perder, quando temos um mapa orientando o que fazer.

7) Que outros livros ou autores você recomendaria para quem quiser se aprofundar nesse assunto?

O diário de negócios de Maslow, de Abraham Maslow e A arte da Previsão de Peter Schwartz;

8) Qual é o maior erro que você vê as pessoas praticando em relação aos assuntos cobertos pelo livro?

A ilusão. As pessoas estão saindo fora de suas realidades, imaginando um mundo novo e maravilhoso. E quando veem, caem de cara no chão. Hoje, está se pagando um preço muito caro para descobrir qual é a nossa verdadeira vocação. O brasileiro tem o espírito empreendedor, que infelizmente confunde com a sua capacidade empreendedora. E para descobrir se tem ou não essa capacidade empreendedora, acaba pagando um preço muito alto.

9) Que sugestões você daria para quem quer melhorar? Por onde começar?

Descobrir quais são as suas qualidades é a chave. Para descobrir, você deve fazer cursos, assistir palestras e ler muito. Quando você se encontrar e descobrir seu ponto forte, foque nele. Leia e assista tudo o que diz a respeito do tema. Um dos meus erros, foi parar de vender os produtos que eu produzia, para fazer o negócio crescer. Me dei mal. Eu deveria ter focado mais nas vendas, que é o meu ponto forte e contratar outro que fizesse a administração do negócio nesta etapa. Abandonei meu maior talento. Não faça isso com você.

10) E o que você acha que essas pessoas deveriam PARAR de fazer?

Querer ser igual ao outro que se supõe que esteja melhor que você. Como diz a música do Marcelo Jeneci: Só eu sou eu. O único no qual você deve superar é você mesmo. Absorver os acertos e os erros dos outros, trazendo-os para a sua realidade é válido. Tenha uma prioridade principal e foque nela. Pare de querer fazer mil coisas. Não dá.

11) Baseado em toda sua experiência e depois de todas as pesquisas que fez para escrever seus livros, existe algum conselho sobre aprimoramento pessoal e profissional que você vê publicado com frequência, mas com o qual não concorda?

Para mim, os livros e treinamentos que prometem te enriquecer rápido não deveriam nem ser feitos ou lidos. Isso não existe. Fique rico em 3 semanas ou Enriqueça com o poder da mente (títulos fictícios), é para enriquecer autor. Isso faz com que as pessoas se sintam mal, ao ver que não foi possível acontecer na vida delas, o que foi prometido no livro ou treinamento. Reforço que o aprimoramento e treinamento de qualidade pode e deve ser feito. É preciso evoluir sempre. Se aprimorar sempre. Quem fica estagnado, estraga.

12) Existe algum conceito do livro que você gostaria de reforçar aqui?

É preciso derrubar as certezas que construímos dentro de nós mesmos. Perceba que procuramos sempre a resposta que vai de encontro ao que gostaríamos de ouvir. Difícil ouvir uma opinião diferente, não é mesmo? Ficar baseados em cima das nossas razões fundamentalistas, é atraso de vida. Esteja aberto a novos conceitos. O sucesso de hoje, não é garantia do sucesso de amanhã. No livro eu provo, que quando o assunto é funcionários, 2+2 nunca é quatro. Está aí uma certeza que você tinha e foi derrubada.

13) Algum comentário adicional que gostaria de fazer aos nossos leitores?

Faça-se agora a seguinte pergunta: Eu li esta entrevista e realmente prestei atenção? Ou só fiz isso para cumprir a leitura do dia. Preste atenção se você não está iludido com a situação com a qual está tendo que lidar. Isso faz, com que os sentidos de alerta não fiquem ligados.

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