[Raul Candeloro entrevista] Paulo Vieira: Poder e Alta Performance

A Alta Performance vem sendo estudada por especialistas de diferentes áreas. Entender o que faz algumas pessoas terem um sucesso tão acima da média pode indicar o caminho para alcançar grandes objetivos.

Nesse sentido, o master coach Paulo Vieira garante que o segredo está não só em buscar o seu crescimento individual, mas também o das pessoas que estão à sua volta. “As pessoas que têm a visão desse dueto, de crescer e de contribuir extraordinariamente, vão chegar aonde poucos chegam e conseguirão se manter lá“, destaca.

Vieira é uma autoridade em temas como coaching, liderança, negociação, relações humanas e gestão eficaz de pessoas. Em seu mais recente livro, Poder e Alta Performance, ele mostra que é impossível ter um bom relacionamento com os outros sem antes relacionar-se bem consigo.

Além disso, a obra também traz as bases do Método CIS, curso criado pelo próprio autor com estudos cientificamente comprovados, e considerado um dos maiores treinamentos de Inteligência Emocional da atualidade.

Em entrevista a Raul Candeloro, Paulo Vieira revela o que mais você pode esperar sobre o livro, fala sobre a Matriz da Plenitude, aponta os erros mais cometidos por quem ainda não atingiu a alta performance, e muito mais. Confira!

Raul Candeloro – Antes de falarmos sobre Poder e Alta Performance, seu livro novo, vamos definir algumas coisas. O que é exatamente PODER para você? E como você define ALTA PERFORMANCE?

alta performancePaulo Vieira – Para mim, poder é uma dádiva de Deus. Com o poder eu posso ajudar o próximo, salvar crianças, dar escola, comida, remédio, entre outras graças. Só faz tudo isso quem pode. Só ajuda quem pode. Agora, a questão é: quem tem o poder de fazer algo? Ou quem domina esse poder?

Se a pessoa certa domina esse poder, é maravilhoso. O problema está quando o poder fica nas mãos de pessoas com intenções ruins. É como uma arma. Você pode dizer que uma arma mata pessoas, mas, na verdade, quem mata são aqueles que a usam com esse propósito. A mesma arma também pode ser usada para se defender.

Em Ruanda, os hutus mataram milhares de tutsis com facões. Foi o facão que cortou a cabeça daquelas pessoas? Não. Foram pessoas que cortaram. O dinheiro, a beleza, a hierarquia, a autoridade, a inteligência emocional e a inteligência cognitiva são formas de poder. A diferença é saber como usar esse poder.

Muita gente acredita que o poder corrompe. Eu não acredito nisso. Na verdade, o poder manifesta o caráter das pessoas. Se você é bom e adquire poder, você fará coisas boas.

A alta performance e a inteligência emocional são as formas mais importantes de poder. Para usufruir do poder do dinheiro, primeiro você tem que ganhar dinheiro. Para usar o poder de uma arma, você tem que conquistá-la.

Já o poder da alta performance está dentro de você. Quando você descobre como utilizar esse poder, passa a carregá-lo por onde você for, não importam as circunstâncias. É possível construir um império, partindo do zero. Podem tirar tudo de você, mas ninguém vai tirar a sua capacidade de viver em alta performance.

Por que você acha que a maior parte das pessoas ainda não tem as atitudes/habilidades/resultados da alta performance?

Não têm e nunca irão ter. A alta performance pressupõe uma visão de excelência. É algo diferenciado, que poucas pessoas se dispõem a desenvolver. É algo que cabe às pessoas que conduzem o mundo. O mundo é conduzido por um pequeno número de pessoas que têm uma visão extraordinária.             

Tem muitas pessoas que não querem ter alta performance. É muito cômodo ficar na zona de conforto, viver uma vida básica, sem responsabilidade ou esforço. Grande parte da população prefere esse estilo de vida a ter o peso da alta performance.

Você poderia nos dar um exemplo prático extraído do seu livro ou palestra que exemplifique melhor seus principais conceitos?

  • Muitas pessoas correm atrás de dinheiro e sucesso, mas de uma forma egoísta, pois acreditam que a solução é crescer e se beneficiar e esquecer quem está ao seu redor. Técnico e cientificamente, essa não é a solução para o sucesso. Sucesso não é só carreira e trabalho.
  • O segundo ponto é entender que, para ter sucesso, é fundamental ter valor como pessoa e profissional. Para isso, é preciso agregar na vida de outras pessoas, das empresas, tanto na questão pessoal quanto na profissional. Isso gera um dueto entre crescer e contribuir. 

alta performanceQuem só busca crescer, sem contribuir, jamais vai atingir o seu máximo potencial. Já quem só contribui carrega um peso alto demais e não consegue crescer.

As pessoas que têm a visão desse dueto, de crescer e de contribuir extraordinariamente, vão chegar aonde poucos chegam e conseguirão se manter lá.

Eu criei uma ferramenta que é capaz de detectar o estado atual em relação ao sucesso pleno. Chama-se Matriz de Plenitude. Ela leva em consideração a disposição para crescer (competência emocional pessoal) e contribuir (competência emocional social).

  • Se você é uma pessoa que somente cresce, se beneficia com cursos, conhecimentos, com promoções no emprego, mas não busca contribuir com o próximo, você é um parasita. Age como tomador, beneficiando-se muito mais do que contribuindo. Comporta-se de forma egoísta e autocentrada. É o tipo que quer (e busca) tomar vantagem em tudo.
  • Já se você somente contribui, ajuda todos sempre que pode, é aquela pessoa em que todos confiam e recorrem quando precisam, mas esquece de si mesma, é um hospedeiro. Não sabe dizer não e apenas contribui para o crescimento dos outros enquanto esquece de si. São aquelas pessoas não reconhecidas pelo que fazem e pouco valorizadas. Só os outros que prosperam com a ajuda dela, ela não.
  • Você é considerado um autofagista quando “consome a própria carne”. Não contribui e muito menos cresce. Faz o básico para sobreviver e, por isso, não é capaz de contribuir nem consigo, nem com ninguém. A cada dia está mais cansado e debilitado, até que um dia “desaparece”.
  • Por fim, vêm as pessoas que estão no sucesso pleno e permanente da Matriz de Plenitude. Você está na plenitude quando cresce forte e rápido. Sua vida dá certo, faz o que tem de ser feito. Não procrastina, nem se sabota. É pleno em realizações e, além disso, empodera-se e ajuda muitas pessoas. Acredita que o ato de contribuir é um estilo de vida. Possui uma legião de pessoas que foram beneficiadas por ela, que estão prontas para ajudar e retribuir tudo que receberam.
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Na matriz de plenitude, deve-se marcar, no eixo vertical, uma nota de zero a dez para o quanto você vem crescendo e, no eixo horizontal, o quanto vem contribuindo com outras pessoas. O ponto de encontro das duas notas revela em qual quadrante você se encontra: parasita, hospedeiro, autofagista ou plenitude.

Quais são os erros mais comuns que você vê as pessoas cometendo em relação a essas questões?

Muitas pessoas não crescem por arrogância, pois acham que não precisam de ajuda. Muitas não fazem treinamento, não leem livros ou fazem cursos. Quando eu quero chegar a um lugar e acredito que posso chegar sozinho, isso é arrogância.

As pessoas também não “chegam lá” por causa da vaidade. Elas estão preocupadas com o que os outros pensam delas. São pessoas que nutrem seu comportamento não em relação a seus sonhos e expectativas, mas em cima do que os outros vão falar, do que a família irá achar, e param no meio do caminho.

Outros não têm sucesso porque estão numa zona de conforto e ficam parados, não vão atrás, não aprendem, nem mesmo se preparam.

Tem também aqueles que querem obter sucesso por meio de um atalho. Não existe caminho fácil para grandes conquistas.

Dessa lista de erros, qual você considera o mais grave? Por quê?

Eu não diria o mais grave, e sim o mais comum e imperceptível: a arrogância. A população é arrogante e não sabe. Não sabe que precisa de ajuda. Muitas pessoas acreditam ser capazes de fazer tudo sozinhas.

Eu pergunto ao leitor da revista VendaMais: quantos livros você leu nos últimos anos? Quantos livros de gestão comercial você leu neste ano? Quantos coaches você contratou? Quantas consultorias você contratou? A partir dessas questões será possível identificar se você é arrogante ou não.

Imagine que um empresário ou vendedor procurando melhorar seus resultados nessa área. Por onde começar? De maneira sucinta e objetiva, quais as principais recomendações?

  1. Primeiro ele precisa fazer um check-up nele mesmo para entender qual o estado atual. Por exemplo: quais resultados ele tem gerado em vendas? Quanto tem ganhado? Quantos clientes novos conquistou ou perdeu? Qual seu desempenho de faturamento ou lucro para a empresa? Quais resultados têm gerado?
  2. Depois disso tudo, é necessário se perguntar aonde se quer chegar.
  3. O terceiro passo é saber qual preparação precisa ter para sair do estado atual para chegar até o objetivo desejado.

Esses três passos que acabei de descrever são os passos em um processo de coaching. Primeiro é identificado o estado atual, em seguida, aonde quer chegar. Por último, é traçado um caminho de onde o cliente está até onde ele quer chegar: quais os passos? Quais competências ele precisa desenvolver? Quais obstáculos deve superar? Quais ações deve tomar?

Falando um pouco do seu trabalho como coach e palestrante, que tipo de empresa geralmente contrata seus serviços? O que buscam?

Quem procura o meu trabalho como coach são empresas que buscam grandes resultados e altíssima performance para os seus executivos e diretores. Também costumo ter alguns clientes atletas.

Enfim, são empresas ou pessoas que estão dispostas a pagar R$ 15 mil por uma sessão individual comigo e R$ 150 mil por dez sessões. Quem está disposto a pagar esse valor geralmente ou precisa de ajuda para resolver um grande problema, ou precisa de ajuda para alcançar um grande objetivo.

Já os meus cursos atingem um público bem diversificado. Quem busca os cursos de business geralmente são gestores e empreendedores. Já quem procura os cursos de Formação em Coaching está buscando alta performance e a possibilidade de atuar como coach. Tenho também um treinamento para Oradores e Palestrantes, que atrai todo tipo de público.

Hoje o meu curso mais procurado é o Método CIS, que já se tornou o maior treinamento de inteligência emocional da América Latina. A cada edição, são cerca de três mil participantes, porque é um curso transformador em todas as áreas da vida. Nós temos clientes que colocam todos os funcionários da empresa no curso.

Já o curso Fator de Enriquecimento é procurado por pessoas que estão em busca de uma vida realmente próspera financeiramente, alguém que já possui uma vida financeira relativamente boa e vem para o curso para ir além, outros vivem uma relação completamente disfuncional com o dinheiro, presos em dívidas e mais dívidas, e vêm até o curso para mudar essa relação.

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Por outro lado, que tipo de evento/treinamento/consultoria não é adequado para você? Ou seja, que tipo de problemas/situações/treinamentos você geralmente prefere não aceitar ou indicar para algum colega?

Eu acredito muito no dueto crescer e contribuir. Não me agradam treinamentos cujo o objetivo é apenas agregar valor para a empresa que promove o curso, e não agregar valor para as pessoas que estão ali. Para mim é muito importante estar atento ao propósito daquele evento, se os valores estão de acordo com o que defendemos na Febracis.

Já em relação aos meus coachees, por exemplo, se um cliente não tem a humildade ou disposição que eu espero, eu o “demito”, até para que não gaste dinheiro comigo e que, de fato, eu possa agregar na vida de alguém. Eu não quero fazer por fazer e, sim, fazer porque será positivo e transformador para aquela pessoa e para mim.

Qual seu diferencial em relação a outros coaches? Qual sua “marca registrada”?

Minha marca registrada é o resultado que nós geramos.

O coaching tradicional é basicamente cognitivo e comportamental. Isso funciona. Nós também trabalhamos essas áreas. Mas o nosso coaching é integral. Nós integramos a parte cognitiva (racional) à estrutura emocional. Ou seja, trabalhamos em cima do objetivo de cada um, agregando inteligência emocional e reprogramação de crenças.

Conseguimos reduzir para 5% o tempo das mudanças. Se, sem o processo de Coaching Integral Sistêmico, levaria 100 momentos para que aquela pessoa atingisse determinado resultado, fazemos ela chegar lá em cinco. Nossos exercícios são muito profundos, e por isso é que geram mudanças.

O nosso trabalho tem se mostrado muito eficaz. Hoje, a Febracis Coaching Integral Sistêmico, da qual sou presidente e fundador, é a maior empresa de consultoria e de coaching do mundo. Temos mais de 500 funcionários espalhados pelo Brasil e também fora do país.

Com tanta experiência na área de coaching e treinamentos, quais dicas ou informações você vê sendo dadas pela mídia sobre esse assunto com as quais claramente não concorda?

Eu entendo que, quando se fala de coaching, todo mundo pode exercer a profissão, mas tem que buscar uma instituição de credibilidade. E quando se fala em treinamentos de alta performance, deve-se buscar instituições mais confiáveis ainda.

E como saber se as instituições têm esse know-how?

Nessa procura, é importante verificar quantas edições do treinamento já foram realizadas, se o número de participantes é mantido em cada edição ou se cresce, quais são os pontos que mostram que o curso gera resultado, se a instituição tem certificados e se são verdadeiros. Se tiver sede na sua cidade, visite.

Nosso curso de coaching é certificado pela Florida Christian University. Nossos alunos mandam o seu material de formação para a universidade para serem avaliados. Logo, você sabe que existem critérios e padrões que são testados e validados. Uma qualidade internacional é cobrada de nós.

Há cursos que o certificado está só na internet, não existe um diretor, nem mesmo uma sede.

É preciso investigar muito a instituição antes de fazer algum treinamento. Perguntar se o treinamento tem gerado mudanças na vida das pessoas e se vem crescendo/ganhando mais público ao longo do tempo. É imprescindível identificar se a instituição é certificada de verdade, se o órgão existe mesmo e se tem sede. Passando por esse crivo a pessoa está segura.

Algum último comentário que queira fazer para os leitores da VendaMais?

Busque sempre muito conhecimento, mas também inteligência e capacidade emocional. Nenhuma empresa vai chegar à alta performance sem técnicas, conceitos, ferramentas, estrutura emocional e crenças potencializadas. É sobre isso que falam meus cursos e livros.

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