Fintech Capital Empreendedor cria plataforma para facilitar o acesso a crédito das MPMEs

Diminuir a burocracia e limitação para obtenção de crédito para micro, pequenas e médias empresas. Este é o foco da Capital Empreendedor, plataforma financeira digital aberta que facilita o acesso a crédito para MPMEs. Com negociações de financiamento tanto de curto quanto de longo prazo, ela traz em sua carteira instituições financeiras e fundos de investimentos em todo o Brasil.

Atualmente, as fintechs (empresas inovadoras no setor de serviços financeiros) têm ganhado cada vez mais espaço dos bancos no empréstimo a empresas. Uma forma de tornar mais acessível ao crédito, já que os bancos tradicionais costumam ser mais burocráticos. Os prazos para obtenção de crédito em grandes instituições acabam sendo mais demorados e os juros cobrados são altos.

A Capital Empreendedor tem cerca de 300 instituições financeiras mapeadas no sistema. Além disso, conta com uma rede de 30 associados e agentes externos, em 16 cidades do país. São profissionais que disseminam o conceito e os benefícios da plataforma nas suas próprias redes de relacionamento.

A plataforma pertence à Master Minds, uma empresa que tem fundo de investimento em private equity e também assessora empresas em fusões e aquisições. Ao todo, o sistema já movimentou mais de R$ 200 milhões em propostas de créditos. A startup usa big data para reduzir prazo de concessão de crédito pela metade e garantir taxas mais baixas.

Para entender as possibilidades oferecidas, confira a seguir a entrevista com Heitor Ono, um dos idealizadores da Capital Empreendedor.

Vamos falar um pouco da Capital Empreendedor. O que faz e o que oferece exatamente?

De acordo com a McKinsey Global Institute Analysis, 27 milhões de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) são mal atendidas ou sequer são atendidas na América Latina. Naturalmente, o Brasil concentra a maior parcela dessas MPMEs.

Para entender as causas desse problema, estudamos de perto os envolvidos. De um lado, o setor bancário, que é altamente concentrado (mais de 80% do crédito bancário está com os 5 maiores bancos) e integrado (pelo sistema do Banco Central – Sisbacen). E, de outro lado, um oceano de empresas familiares com gestão pouco profissionalizada e baixo conhecimento do sistema financeiro.

Esse cenário, aliado às peculiaridades do Brasil, cria o efeito perverso de elevado spread (juros para o tomador).

Inconformados com a assimetria, nós da Capital Empreendedor desenvolvemos uma plataforma que acessa as melhores linhas financeiras à realidade de score da empresa. Entendemos que expandir o acesso das MPMEs aos diversos agentes do sistema financeiro (ex.: bancos de negócio, Fundos de Direitos Creditórios – FIDCs, financeiras, securitizadoras, P2P, etc. que somam mais de 3 mil) traz novas alternativas ao tomador e permite uma concorrência saudável pelos melhores ativos/empresas.

Assim, a Capital Empreendedor calcula o Bank Promoter Score da empresa. E, com isso, identifica as melhores e mais adequadas instituições financeiras para a empresa, respeitando porte, risco e perfil da empresa, sem comprometer a segurança e independência de análise de crédito das instituições financeiras.

Com esse modelo, expandimos o acesso, aproximamos e simplificamos a relação entre das PMEs e os mais diferentes agentes do sistema financeiro. Assim, encurtamos o tempo necessário para acessar financiamento e trazemos o poder de escolha para o empresário.

Quais as principais tendências que você vê hoje ocorrendo na parte de financiamento para pequenas e médias empresas?

Visualizamos comportamentos distintos entre o credor (as instituições financeiras – IFs) e o tomador (MPMEs).

As IFs estão retomando a oferta de crédito, efeito inevitável causado pela redução da SELIC. Porém, o histórico recente de resultados – inadimplência recorde em dezembro de 2017, elevado grau de atrasos e prejuízos no Sisbacen – têm levado os bancos a só oferecem linhas muito conservadoras, de prazo mais curto, juros elevados e privilegiando garantias reais. Por isso, as primeiras linhas oferecidas às MPMEs são cheque especial, conta garantida e adiantamento de duplicatas ou recebíveis de cartão de crédito.

Pelo lado das empresas, empresários baseados nas capitais e grandes centros têm se beneficiado do boom de fintechs e, assim, alcançado novas linhas de crédito ou produtos alternativos de financiamento. Por outro lado, as PMEs que estão fora dessas regiões ainda estão sofrendo com o efeito do sistema bancário altamente concentrado.

Quais são os erros mais comuns que você vê as empresas cometendo em relação a este assunto específico? O que você acha que DEIXOU de funcionar, mas ainda tem empresas fazendo?

A maior crise econômica e política da história que estamos presenciando assolou todas as empresas. Omitir informação, demorar para compartilhar dados e documentos, não ter segurança das finanças das empresas são a receita para o fracasso na negociação com os bancos.

Entendemos que é inviável uma PME conhecer todos os agentes do sistema financeiro, seu funcionamento e peculiaridades. Afinal, o foco do empreendedor é atender seu cliente e garantir que seu produto ou serviço evolua diariamente.

Manter as informações financeiras de empresa organizadas e em dia, contudo, é fundamental para a saúde do negócio. Trabalhar com planejamento/orçamento e ter disciplina em manter números claros e organizados só trazem resultados positivos, como acesso a melhores linhas de financiamento, velocidade na análise de crédito, previsibilidade de fluxo de caixa, clareza para tomar decisões, entre tantas outras.

Dessa lista de erros, qual você considera o mais grave? Por quê?

Faltar com transparência, sem dúvida, é o maior erro que uma empresa pode cometer na jornada de acesso a financiamento.

O sistema financeiro é integrado – seja pelo Sisbacen, bureaus de crédito ou por network – e os principais critérios eliminatórios da análise de crédito são comuns ou muito similares entre as IFs. Portanto, omitir informação ou tentar ocultar problemas do passado ou atuais muito provavelmente serão identificados pela mesa de crédito e só aumentam o risco da operação para o credor. Isso pode trazer menor chance de acessar crédito, aumento do juros e/ou necessidade de garantias melhores.

Nesse cenário, ser transparente ao contextualizar a empresa na crise, pontuar os possíveis reflexos dessa situação nas finanças e mostrar o plano de ação tomado só contribuem para encurtar a distância da empresa para o recurso necessário.

Imagine que uma empresa está precisando de financiamento, seja qual for o motivo. Por onde começar? De maneira sucinta e objetiva, quais as suas principais recomendações?

Planejamento, organização e transparência são as fundações para acessar boa linhas de financiamento.

  1.  Planejamento: antes de contrair uma dívida, é importante ter clara qual será:
  • A utilização do recurso (aquisição de equipamento, financiamento do capital de giro, liquidação de outro contrato mais caro, etc.).
  • A real capacidade de pagamento do empréstimo (uma projeção de receitas, custos e despesas para visualização da parcela que cabe no seu fluxo).
  • A sintonia desses fatores com a modalidade de crédito (adiantamento de recebíveis, capital de giro, financiamento de máquinas e equipamentos, etc.).

Esse tripé traz segurança ao empresário para a decisão e, consequentemente, para o banco (em receber o recurso de volta).

  1. Organização: tenha documentos básicos de cadastro sempre à mão. Seja para análise de crédito ou para formalização do contrato de financiamento. Tenha cópias atualizadas do RG, CPF, Certidão de casamento, comprovante de endereço atual e da declaração do IRPF. Além de acelerar o processo, esses cuidados ajudam na percepção de confiabilidade.
  2. Transparência: ser transparente com o potencial credor permite acessar o melhor produto para cada necessidade. Compartilhe o planejamento, documentos e a realidade da empresa. Negocie taxas e prazos melhores após aprovar o limite de crédito.

Qual seu diferencial em relação a outros possíveis concorrentes? Por que vocês são diferentes de outros fornecedores da área?

Nossa proposta de valor é de acessarmos as melhores linhas de crédito para a realidade do score da empresa. Na prática, isso quer dizer que entenderemos o negócio, o mercado, o perfil financeiro do cliente, a maturidade e o momento da empresa, para que possamos conectar a empresa aos diversos agentes do sistema financeiro que aceitam o tipo de risco proposto pela operação.

Se para uma grande corporação, com uma robusta equipe financeira, já é quase impossível tratar com mais de 20/30 IFs, imagine para equipes enxutas das MPMEs (isso quando não é o próprio empreendedor) entenderem e negociarem com as mais de 5 mil cadastradas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários)? Nossa plataforma oferece acesso de forma qualificada para mais de 300 IFs mapeadas e cadastradas.

No mercado de fintech, notamos que existe um conflito de interesse, plataformas que são correspondentes bancários de bancos e fundos, o que quer dizer que são remuneradas pelo credor e, portanto, incentivadas a oferecer os produtos dos bancos – os clientes são as IFs. Em contrapartida, a Capital Empreendedor é uma plataforma independente, nosso cliente é o tomador.

Com tanta experiência na área, quais dicas ou informações você vê sendo dadas pela mídia em geral sobre este assunto com as quais claramente não concorda?

Educação financeira é uma área do conhecimento pouco valorizada pela mídia, na minha opinião. Percebemos que empreendedores e empresários de PMEs têm conhecimento restrito sobre o assunto. O que os leva a tomar recursos e negociar com bancos sempre em situação de desvantagem.

Nos últimos anos, constatamos uma supervalorização do investidor pela mídia, sobretudo pela divulgação das startups. Contudo, é importante contextualizar: startup, por definição, pressupõe muito risco (e, por isso, inovação é o seu alicerce) que, consequentemente, se torna taxa de desconto. Na prática, o custo do capital do investidor é quase sempre mais caro do que um financiamento, na medida em que o risco corrido pelo investidor é mais alto.

Assim, uma PME que não seja baseada em inovação e não esteja preparada para arriscar a ponto de quebrar; ou que não precise de smart-money, não tem porque procurar por investidores.

Que tipo de empresa pode se beneficiar dos serviços/produtos oferecidos pela Capital Empreendedor?

Trabalhamos incansavelmente para criar novos produtos e melhorar nossos processos e assim atender todos os tipos de empresa que precisem de financiamento. Atualmente, somos mais eficientes com PMEs de faturamento anual a partir de R$3,5 milhões, para quem trazemos minimamente cinco perfis de credor.

Da mesma forma, que tipo de situação a Capital Empreendedor NÃO se propõe a resolver?

A Capital Empreendedor é uma plataforma de desintermediação financeira e, portanto, não trabalhamos como uma consultoria financeira.

Onde uma pessoa que quiser saber mais sobre a Capital Empreendedor pode encontrar informações e tirar dúvidas?

Publicamos conteúdo em nosso blog (https://www.capital-empreendedor.com) e nas redes sociais (Facebook, LinkedIn, Twitter, Instagram e Youtube) para que as pessoas conheçam mais sobre nós, mas principalmente material que consideramos relevante para empresas que querem ou precisam de crédito. Em nosso site www.capitalempreendedor.com.br é possível fazer o cadastro.

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