O que podemos tirar de lição do Coronavírus até o momento?

Por David Braga

O mundo corporativo globalizado não enfrentava uma crise há alguns anos. De forma inesperada, surge um novo contexto: o Coronavírus (Covid-19), que tem impactado milhões de pessoas e empresas. Nesse cenário caótico, mais do que nunca, é necessário que as lideranças coloquem em prática os soft skills. Ou seja, competências e habilidades como resiliência, planejamento, gestão de crise, comunicação e, sobretudo, tomada de decisão. O desafio é preservar tanto os profissionais e clientes quanto o negócio em si.

Assim, é preciso agir de forma eficiente e rápida para que os impactos sejam os menores possíveis. Neste momento, o nível de consciência tende a subir, pois é fundamental cuidar do principal ativo das organizações: as pessoas. Porém, outro desafio é fazer isso sem paralisar totalmente a empresa, uma vez que os líderes serão cobrados tanto pela entrega de resultados quanto pelas demandas dos clientes. Em um panorama em que a principal estratégia no combate ao vírus é a redução drástica da circulação de pessoas – que inclui a suspensão das atividades de diversos setores por iniciativa de líderes ou por decretos governamentais –, essa missão se torna bastante árdua.

Entretanto, muitas empresas não podem parar totalmente, ainda que seja necessário manter os funcionários trabalhando no modelo home-office. É importante lembrar que uma parte desses colaboradores sequer experimentou essa modalidade de trabalho, o que transforma essa nova realidade em um desafio. Estar em casa, juntamente com outros membros da família, pode criar diversas distrações. Por consequência, isso pode comprometer a agenda e diminuir a produtividade. Por isso é essencial criar estratégias e orientações como, por exemplo: acordar no horário usual, manter a concentração e o foco nas demandas, que devem ser entregues com assertividade.

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Além disso, eventos foram cancelados, casamentos adiados, aulas em escolas e universidades foram suspensas e fronteiras foram fechadas. Essa é a realidade que vivenciamos e vivenciaremos por semanas. Fica claro que cadeias produtivas de nossa economia serão impactadas e até mesmo repensadas. Isso esclarecido, mais do que nunca, adaptação e flexibilidade são extremamente importantes.

Outro grande desafio desse contexto é o fato de nós, que sempre vivemos em sociedade, sermos obrigados, por razões óbvias, a nos isolar. Por enquanto, a ordem do dia não se expor nas ruas ou demais estabelecimentos. A sensação de fragilidade, vulnerabilidade e impotência toma conta das pessoas, sem diferenciar idade, cultura, raça ou religião. Já não é mais um problema deste ou daquele país, mas algo generalizado. Isso mostra que estamos todos no mesmo barco: ricos, pobres, letrados ou não estão sendo enterrados ao redor do mundo. Dessa forma, o momento atual traz a oportunidade de expandir nossa mente, exercitar o altruísmo e se preocupar com o bem estar de todos.

Nesse contexto, entendemos que nossas ações refletem positivamente ou não no todo. Fazendo uma análise quanto aos brasileiros: somos calorosos e o ato de ajudar o outro faz parte de nosso DNA. A cada momento, aumenta a empatia, seja no apoio aos idosos, com as compras nos supermercados ou farmácias para que eles não estejam expostos, seja nas empresas que liberam gratuitamente o acesso a treinamentos, livros e outros temas à população que está enclausurada em seus lares.

Portanto, assim como no ambiente corporativo, é preciso ter um trabalho integrado em nossa sociedade, atuando de forma multidisciplinar e em time. Só com o esforço de todos, veremos a melhora dos resultados. Essa talvez seja a principal lição neste momento. A vida – tanto no âmbito profissional quanto pessoal – é imprevisível. É preciso agir com coerência, ética, agilidade e equilíbrio.

É oportuno, ainda, usar essa perspectiva para repensar nossas ações e o impacto de nossas decisões dentro das organizações ou na esfera pessoal. Já que estamos sendo forçados a parar, então por que não aproveitar este momento para refletir sobre em que podemos mudar? O que podemos transformar, primeiramente em nós, para que depois possamos impactar as mudanças nas empresas ou mesmo nas pessoas com as quais lidamos no dia a dia?

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David Braga é CEO, Board Advisor e Headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão, que atua em todos os setores da economia na América Latina, com escritórios em São Paulo e Belo Horizonte.

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