Lyoto Machida: conheça o lado empreendedor do lutador de MMA

Astro de UFC, o lutador Lyoto Machida também é um empreendedor nato. Aos 39 anos, além de comandar uma academia no Brasil com mais de 1,5 mil alunos, Lyoto também está à frente de um modelo inovador com sede em Los Angeles, que tem como objetivo priorizar a essência do karatê. Para isso, investiu quase R$ 1 milhão e alcançou o break even com menos de um ano de existência. Além disso, o atleta já visualiza outros negócios para o pós-carreira.

Em entrevista exclusiva para a VendaMais, conversamos sobre o que a arte marcial tem a ensinar para pessoas das mais diferentes idades, diferenciais e muito empreendedorismo. Além, é claro, de como treinar a equipe de vendas e investir na fidelização de clientes. Confira a seguir minha entrevista com Machida.

Olá Lyoto, prazer em falar com você. Acompanho você há anos, um de meus lutadores de MMA favoritos. Mas hoje o assunto é empreendedorismo e queria conversar com você sobre seu outro lado, de empreendedor, que pouca gente conhece e acompanha. Vamos falar primeiro sobre a Academia Machida, no BR. Quando surgiu? Como foi o começo?

A academia no Brasil é um empreendimento junto com meus irmãos, em Belém do Pará. E essa academia tem, atualmente, 1,5 mil alunos. É voltada para o lado fitness e o karatê tradicional. Ela existe desde 2012.

Quem é seu público-alvo e como vocês se diferenciam de outras academias de artes marciais? O que vocês fazem que é totalmente diferente da maior parte dos concorrentes?

Não temos um público-alvo definido por faixa etária. Nesse caso atendemos alunos de todas as idades. Nosso público-alvo é dividido por propósito: o de se aperfeiçoar como pessoa por meio dos conceitos e prática de um uma arte marcial milenar. Nós temos aulas destinadas tanto para crianças quando para pessoas da terceira idade.

O que faz com que as pessoas busquem a Machida Academy na verdade é o conjunto de valores, conceitos e técnicas que ensinamos. O que nós fazemos de diferente é que a nossa arte marcial não é voltada para competição em si, mas sim para a vida. Para que as pessoas possam utilizar a arte marcial no seu dia a dia. Na hora de um fechamento de negócios, em um momento de decisão na vida pessoal ou profissional. Para que a pessoa possa ter autoconfiança, autoestima. Nosso objetivo é que a pessoa possa desenvolver as habilidades que estão dentro dela.

O que fazemos diferente é buscar o lado filosófico junto com o lado marcial. Temos as classes “Little Dragon”, que são voltadas para crianças de até 6 anos. Nessa fase da vida está sendo formado o caráter da criança e o karatê pode contribuir de forma positiva, por exemplo, para ensinar disciplina, resiliência, determinação. Usamos o karatê como um anti-bullying na escola, na rua. Depois temos alunos da adolescência, que também é um período de formação da personalidade e, na fase adulta, onde as pessoas buscam se sentirem mais autoconfiante. E também temos alunos da terceira idade, que são pessoas em busca de mais autoconfiança, de recuperar a autoestima, saber se defender e ganham isso com os treinamentos.

Vocês têm Missão, Visão, Valores bem definidos? Se sim, quais são?

Nossa missão é transformar a vida das pessoas através das artes marciais. De crianças, adultos e da terceira idade também. Para que as pessoas se sintam mais aptas a viver uma vida mais digna no sentido emocional, na autoconfiança. Através da arte marcial, do sistema de defesa pessoal que a gente colocou, a gente trabalha e desenvolve esse lado das pessoas.

Quais foram as maiores dificuldades nestes últimos dois anos da academia no BR, com a economia em recessão?

Muitas vezes o trabalho de academia é visto como supérfluo, mas a gente acredita que com o trabalho que desenvolvemos, isso passa a ser prioridade para você estar bem. Então a gente usa a arte marcial nesse sentido, para enfrentar os desafios do dia a dia. Esses dois anos de crise do Brasil realmente foram difíceis. Tivemos muita gente saindo da academia, mas também muita gente se mantendo na academia por esse motivo. Então tivemos que fazer um trabalho muito forte de marketing e vendas do nosso trabalho e da nossa filosofia. A gente conseguiu se estabilizar e agora já deu a volta por cima. Tínhamos mais ou menos 1.200 alunos. Quando a crise veio baixamos para 800 alunos e agora subiu para 1.500 alunos, então na verdade tivemos um ganho nesse período.

Quais foram os principais sinais de sucesso que começaram a aparecer, mostrando o acerto da estratégia e modelo de negócio das academias nestes últimos meses?

Eu acredito que os primeiros sinais de sucesso que aparecerem foram os feedbacks dos alunos, dos pais dos alunos, das pessoas e da sociedade em geral. A gente trabalha com convênio com muitos colégios também, e tivemos esse feedback. As pessoas melhoraram suas vidas no sentido de ter mais disciplina, autoconfiança e no cumprimento de tarefas. Isso mostrou que a gente estava no caminho certo, que a estratégia era certa, que o modelo de negócio é muito bom.

Especificamente em relação a Vendas (que é nosso foco na VendaMais), como vocês treinam a equipe comercial para reforçar seus diferenciais e não cair na guerra de preços?

Falando em relação às vendas, claro que nossa equipe é muito bem treinada, mas temos o nosso diferencial que é esse lado da filosofia. Seguimos o conceito de marketing que fala sobre a estratégia do “oceano azul” e do “oceano vermelho”. Se você está no oceano vermelho você fica brigando por preços o tempo. Porém, quando você está no oceano azul você nada sozinho. Então basicamente nossa estratégia é essa ter um diferencial para não estar na guerra de preço.

O que vocês têm feito de especial para atrair novos clientes e que tem funcionado bem?

Nós ouvimos muito os alunos. Temos uma parte de telemarketing muito ativa que busca o feedback dos alunos para saber as necessidades dele. Se ele está na academia, a gente busca entender o que ele precisa desenvolver e se estamos atendendo essa expectativa. Se ele se afastou, buscamos entender o porquê. Aí tomamos decisões sobre o que precisa ser modificado, no que investir.

E em termos de fidelização de clientes, algo em especial que façam para que os clientes continuem comprando ou fazendo negócios com vocês?

Temos várias estratégias de fidelização dos clientes, a que acabei de citar é uma delas. Também temos uma estratégia de gamificação. Fazemos concursos com os alunos ao longo da trajetória deles na academia. Isso ajuda no sentido de cumprimento de tarefas e receber premiações. O próprio exame de faixa das artes marciais é uma estratégia de gamificação que fideliza o cliente, porque faz com que ele esteja engajado e busque evoluir. E fora tudo isso buscamos entender e valorizar o resultado que eles têm na vida deles.

Existe algo que era feito antes e que vocês PARARAM de fazer, por mais dura que fosse a decisão, para atualizarem seu modelo de negócios?

Sim, apesar de manter viva a tradição da disciplina e da hierarquia oriental, investimos em algumas modificações no trabalho para aproximar o aluno e os professores. Isso funciona melhor na atualidade. Um exemplo prático são os modelos de aula. No karatê é utilizado o shinai, uma vara de bambu, com a qual o professor toca o aluno para corrigir o treinamento. Porém isso assustava alguns alunos e pais. Para atualizar o nosso modelo, por exemplo, não utilizamos esse elemento tão tradicional nas artes marciais.

Em quais áreas da empresa foram feitos os principais investimentos nesse processo de crescimento da Academia Machida? Não só em termos de dinheiro/investimentos, mas revisão de processos, aumento de eficiência, etc. Ou seja, onde foi colocado mais foco e energia?

Investimos principalmente na área de vendas e marketing para que a empresa crescesse. Colocamos muito foco nessas áreas para poder alavancar a academia.

Quais os próximos passos? Ou seja, o que estão planejando para o futuro? Qual o próximo grande objetivo? Andei vendo que abriram a Machida Karate Academy em Los Angeles…

Como os modelos de negócios do Brasil e dos EUA são diferentes, nossos próximos passos também mudam em cada um dos lugares. Nosso objetivo é investir na expansão em número de academias no Brasil. É onde trabalhamos um modelo de negócios que está voltado mais para a parte técnica, tradicional do karatê e também para a parte fitness.

Em Los Angeles, onde desenvolvemos uma metodologia de ensino única, com toda a proposta de filosofia, nosso objetivo é aumentar o número de associados ao nosso trabalho. Pessoas que passam um período conosco e se credenciam para usar a metodologia de metodologia de ensino Machida Karate em seus espaços. Já temos associados dentro dos EUA, na Europa e em outros países da América Latina.

Que conselhos daria para um empreendedor pensando em iniciar um projeto pessoal mas ainda relutando se começa (arrisca…) ou não?

O conselho que eu daria para um empreendedor é: se você sabe o que está fazendo, se acredita no seu potencial, se você tem um objetivo de vida, eu acho que você tem que arriscar. Acredito que a vida é tão curta, a gente precisa arriscar para alcançar grandes resultados. Meu conselho para você é: crie metas por etapas, vá cumprindo essas etapas, mas coloque em prática! Outro conselho que eu daria é que, além de acreditar, você tenha ação e use a sua imaginação. Pense em coisas positivas, pense como você vai chegar lá, imagine você chegando lá. Isso faz parte, tanto na luta como nos negócios. Você tem que imaginar para traçar uma estratégia e chegar lá da melhor forma. 

Existe algum livro, vídeo, filme, pessoa que mais influenciou sua trajetória pessoal/profissional e que você recomendaria para pessoas que querem resultados melhores?

Os livros do Napoleon Hill são muito bons, gosto muito deles. Também indicaria os vídeos do Bob Proctor, um palestrante. São conteúdos que influenciaram muito a minha trajetória e que me ensinaram muito. Sendo que eu cheguei nesses autores porque meu pai já havia me falando: “Você tem que ler Napoleon Hill”. Hill foi um cara que estudou a mente dos milionários e como eles pensavam e, a partir daí, começou a tirar as provas de como a mente das pessoas funciona, como conhecer a forma que o seu cérebro reage, como pensa, como atinge o seu objetivo a partir do seu pensamento. Porque o pensamento tem uma força muito grande, é partir dele que tudo começa e com ele você tem uma ação e um resultado.

Algum comentário final que gostaria de fazer para nossos assinantes e leitores da VendaMais?

Queria agradecer a oportunidade. Para mim é sempre uma honra poder falar dos meus projetos, minha vida como empreendedor e ajudar as pessoas a realmente acreditar no que elas desejam fazer, no potencial delas, se juntar com as pessoas do bem, para juntas definir e buscar um objetivo. Muito obrigado.

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