Livro “Vença o stress e controle a pressão antes que eles dominem você” – a busca pela resiliência

Em seu livro “Vença o stress e controle a pressão antes que eles dominem você, a autora nos apresenta o conceito de resiliência e ensina como ter mais tranquilidade, para superar as situações adversas da vida. É um convite ao autoconhecimento.

Em entrevista exclusiva com a autora, Érika Stancolovich, doutora em psicanálise, coaching, palestrante e escritora, abordamos o tema de uma forma mais prática. Não espere o próximo ano para começar a colocar em prática esta atitude. Confira a entrevista a seguir e aprimore a sua resiliência.

Fale um pouquinho mais sobre o Resiliência. Sobre o que trata exatamente o livro e porque escrevê-lo?

Cresci ouvindo esta popular frase: “O homem para se sentir realizado precisa plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Sábias palavras, para ações que são sinônimos de paciência, zelo e determinação. Sinônimos de um personagem sem dúvida vencedor, um resiliente. Ainda criança, plantei a árvore, sem consciência alguma do que isso significaria no futuro. Em outra fase da vida, fui agraciada com o nascimento de minha filha. Mas olhando as sábias palavras, ainda faltava um elemento.

Apesar de muitos obstáculos, meu sonho persistiu: escrever e publicar um livro. Não um livro qualquer, mas a obra que me permitisse contribuir para a qualidade de vida do SER HUMANO. Levando-o a refletir sobre suas ações, de maneira que se tornasse o personagem vencedor das sábias palavras, e ainda uma pessoa RESILIENTE.

Resiliência é uma capacidade que pode e deve ser adquirida a qualquer momento da nossa vida

Para que estejamos mais preparados para lidar com as adversidades, o stress e a pressão do dia a dia. Além de nos fortalecer com as experiências negativas, e fundamentalmente tornar-nos protagonistas de nossas vidas. Utilizando o poder da escolha para sermos assertivos nas nossas tomadas de decisões.

A partir de uma experiência pessoal, onde estive em coma, após uma eclampsia na gravidez, comecei a estudar sobre o assunto, que culminou em minha tese de doutorado. Ser resiliente nos dias atuais é imprescindível. No livro compartilho experiências, cases de sucesso e técnicas eficientes e eficazes para potencializar a nossa resiliência.

Você provavelmente tem uma palestra sobre o mesmo assunto. Quando é convidada a falar em público, quais as principais dicas que dá sobre resiliência?

Sim. Uma dica que sempre deixo é o uso de uma agenda: papel, o bloco de notas do celular, o editor de texto do tablete. O meio não interessa, o importante é que esteja tudo registrado nela. Escreva o que você quer realizar, o que você quer ser, o que você deseja conquistar. E quando se deparar com uma dificuldade ou adversidade, não desista, mas lute, “arregace as mangas”. Pois você sabe, e está registrado, o que é e o que quer para sua vida.

Para uma pessoa resiliente, o plano é algo concreto, acessível e realizável a curto prazo. Aquilo que sentimos acerca de nós mesmos afeta crucialmente todos os aspectos da nossa experiência. Desde a maneira como agimos no trabalho, no amor e no sexo. Até o modo como atuamos como pais, amigos, e até o ponto em que provavelmente subiremos na vida.

Nossas reações aos acontecimentos do cotidiano são determinadas por quem e pelo que pensamos que somos. É preciso que cada um se preocupe consigo, olhe para dentro de si, e procure perceber a resiliência que pode ser aprendida. O caminho é longo, mas a vida é constituída de conhecimento adquirido, compartilhado e ensinado.

Nesta longa estrada, nem sempre enxergamos o fim. Cada um vai trilhar de acordo com suas escolhas, seu conhecimento e o projeto que elaborou para sua vida

Observe o seu caminho, volte para o seu plano de ação quando tiver dúvidas e reveja as metas se preciso. Mudanças acontecem na vida de todas as pessoas, e os resilientes enxergam a mudança como oportunidade, talvez até como um novo caminho rumo ao projeto de sua vida. Modificar pensamentos, ações e atitudes provocam o movimento da vida. Você pode escolher ser resiliente. E se você perceber que não tem cuidado de você, comece imediatamente a fazer este exercício:

  1. Escolha um momento tranquilo do seu dia para encontrar-se consigo;
  2. Tente ouvir o barulho ao seu redor;
  3. Observe e sinta as pessoas em seu corre-corre diário;
  4. Concentre-se nas coisas boas que você está sentindo nesse momento;
  5. Busque sintonia com as sensações;
  6. Perceba que tudo tem seu próprio movimento e que, indiferente de sua presença ou ausência, o mundo não para. As pessoas continuam procurando os seus canais para expressar o amor, a bondade, a caridade, a fraternidade e a afetividade.

Você poderia nos dar algum exemplo prático extraído da sua palestra ou do livro que exemplifique melhor seus principais conceitos, para que nossos leitores conheçam melhor seu trabalho?

Vou compartilhar com você uma história de uma paciente que, depois de vários desafios e superações, é hoje uma profissional bem-sucedida, casada, mãe de uma linda menina e feliz! Uma atitude importante: não considerar como prejuízo as suas perdas. Com apenas 3 anos de idade, Fátima, agora com 25 anos, perdeu a mãe que sofria de câncer. Foi então criada pelo pai, que lhe ensinou a ser livre, positiva e a viver de bem com o mundo.

Há quatro anos seu pai morreu num acidente de carro, com outros dois filhos do segundo casamento. “Sofri muito, mas não considero só o fato de perdê-los. O episódio me levou a mudanças de rumo”, declara Fátima, que mora em Salvador. “Aprendi que o meu centro de apoio deve estar em mim. Se estivesse centrada na presença física do meu pai, que amei tanto, teria enlouquecido. Ficaram os valores que ele ensinou.”

Desde cedo, Fátima não permitiu que tivessem pena dela. “Por que deixaria que me considerassem uma coitada? Ouvi fitas gravadas pela minha mãe, ainda doente, em que ela pede para eu ser feliz, ter amigos, ir à praia, viajar, estudar…” A mudança de rumo a que Fátima se refere, incluiu alterações até de ordem prática. Ela havia passado no vestibular de medicina uma semana antes do acidente que vitimou o pai.

Apesar do trágico acontecimento, ela seguiu em frente. Se restabeleceu e se formou na faculdade, lembrando sempre das palavras de incentivo também de seus pais. O fatalismo e a vitimação passam longe dos resilientes. Nunca pensam: “Tudo é difícil” ou “Não consigo mudar de rumo”. Pelo contrário, fazem de tudo para reverter a situação indesejável. Possuem metas bem definidas e um projeto de vida.  E você tem um Projeto de Vida? (Extraído do livro Resiliência – vença o stress e controle a pressão antes que eles dominem você!)

Quais são os erros mais comuns que você vê as pessoas cometendo em relação à essas questões da resiliência?

As pessoas que não são resilientes, focam no problema e não na solução. Transformam pequenos problemas em verdadeiros “monstros”. Ficando mais suscetíveis aos stress, e aos sintomas psicossomáticos que o organismo emite quando não estamos emocionalmente e mentalmente bem. A procrastinação é um dos erros mais comuns, a pessoa sabe o que fazer e não faz, ou inicia e não termina. A gestão do tempo é totalmente desorganizada, não rende, com isso cai seu nível de atenção e produtividade. Outro erro, é vigiar o que o outro faz ou fala, não foca na sua própria vida, nos seus projetos e metas. E a reclamação é um outro erro fatal. Pois quanto mais reclamamos, mais desperdiçamos nossa energia com situações que não nos agregam.

Dessa lista de erros, qual você considera o mais grave? Por quê?

Focar no problema e não na solução. Porque se você foca no problema, além de perder tempo, de ficar muito mais estressado, e de abrir gatilhos mentais para problemas emocionais, que podem culminar em doenças físicas, não vai resolver nada. Quando você foca na solução, você se valoriza, confia no seu potencial e habilidades, conseguindo enxergar possibilidades para resolver a situação.

Imagine uma pessoa procurando melhorar seus resultados nessa área da resiliência. Por onde começar? De maneira sucinta e objetiva, quais as principais recomendações?

Sempre pelo autoconhecimento. E para se autoconhecer é bem simples. Pegue agora: papel e caneta. Escreva quem é você, quais as suas qualidades, quais seus defeitos, onde quer chegar e se as suas atitudes estão condizentes com o que que você quer. Coloque esse papel em um lugar que possa visualizar por 21 dias, e nesses dias diga em voz alta tudo que escreveu. Depois coloque em sua agenda o tempo que você irá tirar para você. Isso mesmo, você é tão urgente quanto os seus compromissos. Nesse tempo, pratique algo que gosta, ou simplesmente abra a janela, e olhe por 3 minutos uma paisagem e pense coisas boas. Faça a sua lista de gratidão diária, quando acordar não pule da cama (risos), espreguice e agradeça. Depois você me conta o que mudou em sua vida.

Com tanta experiência na área, quais dicas ou informações você vê sendo dadas pela mídia sobre esse assunto da resiliência com as quais claramente não concorda?

Antes de responder à pergunta vou esclarecer que o termo resiliência vem da física. Ou seja, a capacidade de um material voltar ao seu estado normal, depois de sofrido uma pressão. Bem, alguns profissionais que não são especialistas na área, falam que ser resiliente é você sofrer uma pressão, e depois voltar ao seu estado normal/original. Isso é uma inverdade, porque nós nunca voltamos como éramos, somos seres aprendizes, mudamos, ou para pior ou para melhor. Quando acionamos a resiliência adquirimos um outro patamar de frequência mental, ou seja, saímos fortalecidos e mais preparados para lidar com as adversidades.

Algum último comentário que queira fazer para os leitores da VendaMais?

Seja qual for a sua profissão, ser resiliente nos dias de hoje é imprescindível. Na área de vendas, para lidarmos com as objeções nas vendas, por exemplo, as técnicas resilientes são infalíveis, a maioria das objeções são revertidas. O resiliente aprende pelo autoconhecimento a acionar gatilhos mentais assertivos, e isso, é suficiente para conseguir concretizar a sua meta. Vencer o stress é de suma importância. Conhecendo as técnicas resilientes você terá uma qualidade de vida sem preço. Simples assim!

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