Eu não sou seu coach

Por Fabrício
Hoeppers

Imagine que você compre um ingresso para assistir ao
jogo do seu time favorito no estádio do Maracanã. Após assistir 90 minutos de
jogo, torcer e vibrar pelo seu time, você termine de acompanhar o jogo, mas
agora você já não é apenas um mero torcedor, mas o técnico do time. (Um técnico com experiência de 90 minutos).

Será que apenas comparecer a um jogo de 90 minutos
pode fazer um torcedor sair do estádio como um técnico profissional? Obviamente
que não.

Entretanto é assim que muitos profissionais, após um
curso de coach, uma imersão de três dias ou uma história de vida com superação
e repleta de entretenimento, se rotulam “coach de alta performance”.

O problema, no entanto, não é ser um coach, uma
profissão, inclusive, crescente a cada dia no Brasil e que tem o seu valor. A
objeção é sobre o descrédito que muitos coaches fanfarrões estão caindo, devido
à banalização da profissão.

É verdade, tem coach para todo tipo de necessidade.
Emagrecimento, motivação, carreira, saúde, bem-estar e até o coaching do amor,
que promete trazer a pessoa amada em sete dias, e veja bem, não é macumba.

Há quem divulgue suas consultorias dizendo: “Aprenda agora a conquistar qualquer
mulher, mesmo sendo feio, pobre ou sem outra virtude”. Uma verdadeira l
oucura, loucura, loucura – como diria
Luciano Huck.

Mas a pergunta que não quer calar é: “um cursinho de
final de semana, uma imersão de três dias ou um treinamento de apenas 20 horas
pode qualificar uma pessoa como
coach de alta performance”?

Se um profissional idôneo estuda em média cerca de 4
anos para depois se tornar coach, é valido se promover apresentando apenas um
diploma de horas? Você confiaria em um profissional que se formou num único fim
de semana como dentista, por exemplo? Bem, eu também não!

Mas por que então confiamos, pagamos caro e
frequentamos palestras dos coachs fajutos? Eis
a questão
.

A função do Coach

O papel do coach é treinar, motivar e incentivar as
pessoas para extrair delas o melhor potencial que possuem. Tudo em favor da
obtenção de metas e objetivos de seus clientes. Técnicas e estratégias de PNL, hipnose, neurociência e
psicologia entram em cena. E, se você estiver em parceria com um coach competente,
os resultados virão sem dúvidas. Entretanto, não é isso que temos visto no
mercado atualmente, não é mesmo?

A verdade é que a grande baderna
dos coachs
está por todos os cantos, e temos que aguentar isso calados.

Inúmeros gritos de guerra, mantras seguidos da frase “Yes” e pulos impulsivos a fim de motivar
a galera, trazem uma “suposta” motivação que, semelhante à onda do mar, morre
na praia em poucos dias.

O psicólogo e mestre em psicologia Felipe Dias, em seu artigo
denominado “A farra do coaching e as mentiras que te contaram” disse:

“E por que essas práticas se mantêm? Por um motivo
simples, elas beneficiam as escolas de formação e os 
coaches de palco. Aquela alegria e emoção sentidas no programa de ‘personal
coaching
vão fazer o consumidor do curso querer fazer
o próximo curso ‘executive coaching
’, depois o ‘business
coaching
’, ‘power coaching’, ‘extreme coaching’, ‘master
ultra power leader coaching
’. E para
fazer a ligação são sempre apresentadas, no fim do curso, as cenas do próximo
capítulo, geralmente acompanhadas da frase ‘no próximo treinamento vocês
não têm ideia das técnicas poderosas que vamos aprender’”.

O fato é que eu não sou seu Coach!

Bem, pelo menos não este perfil de coach. Eu não sou o
cara que promete trazer a solução em 7 dias, que trará resultados de alto
desempenho repentinos ou que mudará a sua vida para sempre sem que você
trabalhe para conseguir isso.

Não, eu não tenho promessas fáceis, nem um plano de
carreira em que você trabalhe apenas três horas por semana e fique
instantaneamente rico, ou muito menos que ganhe dinheiro dormindo. Eu não sou seu coach, aquele que te
emagrecerá de repente, sem que você treine ou faça uma dieta para perder peso.
Ou seja, sem o seu comprometimento, eu não sou seu coach.

Eu até posso ter as cartas certas para você, todavia, por meio de persistência, dedicação
e muita atitude de sua parte. Se
você se comprometer com suas metas, juntos, chegaremos ao seu objetivo final. Mas
veja bem, se VOCÊ se comprometer. E
diga-se de passagem, o comprometimento não é comigo e sim com VOCÊ mesmo. Levando
em conta que esse processo pode demorar um tempo determinado, e não horas.

Sugiro a você que elimine agora mesmo toda a ideia
equivocada sobre o que é o processo de coaching, e o que ele realiza de fato.

Até porque, a definição de coaching nada mais é que,
um processo de desenvolvimento em que contém orientação e transformação de
comportamento e mentalidade. Com a finalidade de expandir os resultados que
você atinge em proporções específicas da vida, produzir autonomia, assim como a
habilidade de se autoavaliar e tomar decisões sobre qualquer assunto de sua
vida, e com isso, transformar e capacitar pessoas para atingirem seus sonhos e
objetivos.  

Um
trabalho que ocorre em parceria, entre o coach e o coachee (cliente). Caso contrário, eu não sou seu coach e nem o seu guru,
porque não há truques e nem mágica. O
que há
é dedicação, preparação e ação.  

Eu poderia me desculpar pela maneira de me expressar,
antes de finalizar este artigo, entretanto, precisamos eliminar de uma vez por
toda essa mentalidade rasa. Os resultados virão se, você se empenhar, se dedicar e se comprometer verdadeiramente
ao seu propósito de vida.   

Doutra forma, tudo será como sempre foi, e cairemos
outra vez na grande insanidade citada por Albert Einstein: esperar por resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas.  

Eu sei, talvez eu tenha sido intenso ao escrever este
conteúdo enérgico. Todavia, é importante que você não caia em tais armadilhas
da internet e não seja vítima de promessas fácies e completamente irrealistas.

Profissionais tão despreparados e efêmeros, que alguns
intitulados do mercado de coachs, nem ao menos se nomeiam corretamente. Por
isso, “Eu não sou seu Coach”!

Que tal se dedicar ao máximo na direção do seu objetivo?
Dê um passo de cada vez, até porque o segredo do sucesso é: “Muitas vezes um pouco e não poucas vezes
muito”
.

Agindo assim e assimilando tamanhas verdades,
impediremos “os fanfarrões” de continuar atuando. Além disso, não culparemos
mais os “coaches efetivos” pela nossa falta de comprometimento e resultados,
não é mesmo?

E antes de finalizar e lhe dar algumas dicas para evitar profissionais fraudulentos, eu gostaria de deixar um recado aos fanfarrões: Você não é Coaching, você é Coach!

6 dicas para detectar um coach fanfarrão

1.
Eles não sabem diferenciar o profissional Coach do processo de Coaching, a
começar por aí. Desta forma, invertem a nomenclatura, dizendo-se Coaching,
quando na verdade são Coaches. Bem típico de quem não entende nada do assunto.

2.
Os coaches fanfarrões prometem resultados mirabolantes e rápidos que não se
sustentam em longo prazo. Anunciam-se com promessas semelhantes aos livretos de
simpatias que vemos nas bancas de jornal: “Perca 17 quilos em sete dias”, “faça
seu ex voltar em apenas 48 horas” ou “fique rico enquanto dorme”. Se você vir
tais propagandas, fuja imediatamente. #Chuta
que é macumba.

3.
Apresentam certificados de horas ou de um final de semana apenas. Vendem
cursos, palestras e consultorias sem nenhum entendimento específico. Amigo
leitor, quando quiser descobrir a idoneidade de um Coach, procure conhecer
melhor suas formações. O ideal é que ele tenha boas referências e indicações.

4.
Há também os casos mais extremos, em que os tais fanfarrões nem mesmo
apresentam uma formação ou certificado, mas se autonomeiam Coach devido alguma
superação que enfrentou na vida.

5.
Os fanfarrões não levarão você a sério. Eles te darão atalhos e nunca caminhos
plainos. Jamais lhe guiarão a conquistar por meio dos seus esforços, atitude e
ação, mas sempre por meio de fábulas e processos rasos que não trarão
resultados. A falta de profissionalismo será evidente.

6.
E, por fim, os fanfarrões oferecem sempre o mesmo antídoto para todas as
consultorias. Não levam em conta a peculiaridade de cada cliente (coachee).
Logo, um cliente que apresenta problemas de baixa receita, por exemplo, assim
como o vendedor que vende muito, mas nunca fideliza os seus clientes, serão
tratados e orientados da mesma forma. Tudo porque não há uma metodologia
aplicável para distinguir que cada caso é um caso. Ou seja, é como ir ao médico
com enxaqueca e receber o mesmo medicamento de quem está com a diabetes alta.

Gratidão e até a próxima!

Fabrício Hoeppers é graduado em Direito e Marketing, e certificado pela University of Michigan em Negociação. É palestrante e líder em Marketing e palestrante motivacional, abordando temas como neurovendas, comunicação em vendas, marketing, motivação e atitude, disciplina em metas, postura de vendedor, liderança, proatividade, prospecção, retenção e manutenção de clientes, desenvolvimento pessoal e profissional, excelência em atendimento ao cliente e aumento de vendas (pessoais e empresariais).

Para saber mais, acesse: Instagram: @fabricio_hoeppers. Facebook: fabricioovendedor. Youtube: FabrícioHoeppers. Linkedin: in/fabriciohoeppers. Site: www.fabriciohoeppers.com.br.

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