O desafio de gerenciar a ansiedade em tempos de Covid-19 e isolamento social

Por Júlio Paulillo

Você também tem convivido com preocupações excessivas sobre o futuro, dormido mal e tido dificuldade em se concentrar? Sente que a ansiedade está dominando você nesses últimos meses?

É, você não é o único. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil já era um dos países mais ansiosos do mundo, com mais de 18 milhões de brasileiros convivendo com esse transtorno – o que representa cerca de 10% da nossa população.

O que especialistas já declaram, nesses cerca de três meses de quarentena, é que este índice certamente se ampliou. A ansiedade tem feito parte da vida de muitos de nós, de uma forma que precisa ser gerenciada para que não tenhamos riscos maiores à nossa saúde física e mental.

Mas como fazer isso em um cenário que nos tira tanto do nosso eixo? Busquei algumas recomendações de profissionais da saúde mental para escrever esse artigo!

Por que estamos tão ansiosos?

Antes de seguir com algumas dicas dos especialistas para baixar a ansiedade, queria falar um pouco sobre tudo que está acontecendo.

Sabe por quê? Porque muitos de nós tendem a relativizar o que estamos sentindo e a não cuidar desses sentimentos, como se não tivessem impacto na nossa saúde, na nossa vida profissional, nos nossos relacionamentos.

Estamos desde o dia 11 de março oficialmente vivendo uma pandemia global. Nesta época, já observamos com espanto a evolução do novo coronavírus na Ásia e na Europa.

Também estamos, em muitas cidades, desde então, em uma condição de isolamento social, sem poder sair de casa para lazer, sem poder encontrar nossos amigos e familiares.

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Milhões de brasileiros já perderam emprego ou renda e estamos em uma crise econômica que deve perdurar além da pandemia.

O pior disso tudo é que não esperávamos por essa situação, não nos preparamos para ela. Por mais que sejamos resilientes (qual vendedor não é?), o contexto é muito mais desafiador do que poderíamos imaginar.

Estamos enfrentando um inimigo invisível, sobre o qual sabemos pouco, para o qual ainda não existe uma política de tratamento consolidada. Diante disso, os desafios emocionais são diversos: estresse, medo, insatisfação.

Tudo isso para dizer: está tudo bem sentir ansiedade. Está tudo bem não ser um super-homem ou uma super-mulher frente a todos os desafios.

Reduzir a ansiedade é um desafio, mas essas dicas podem ajudar!

Estar convivendo com a ansiedade não é motivo para vergonha, muito menos para uma autocrítica relacionada a não ser bom profissional. Mas, isso não significa que você deva abraçá-la e passar a conviver com ela todos os dias.

A ansiedade tem efeitos psicológicos e também desencadeia reações físicas, como:

  • alterações no sono e no apetite;
  • aumento da pressão arterial;
  • enxaqueca;
  • dores musculares;
  • entre tantas outras.

Lidar com ela é um desafio, mas que precisa ser encarado de frente. Assim, conseguiremos chegar ao pós-pandemia bem para encarar o que for necessário.

Veja algumas recomendações dos especialistas para reduzir a sua ansiedade:

Converse sobre como está se sentindo

Tirar os sentimentos da gaveta e conversar com outras pessoas ajuda muito a lidar com eles. Se estiver encarando a quarentena com outra pessoa, não deixe de falar com ela sempre que precisar.

Busque também conversar com amigos, familiares e até pessoas da sua empresa, como seu gestor ou o RH.

Faça o possível para se adaptar ao novo modelo de trabalho

Vivemos uma crise sanitária ao mesmo tempo em que precisamos nos adaptar a um novo modelo de trabalho, o das vendas remotas. Se você está trabalhando desta forma, mas não está se adaptando a ele como algo permanente, isso pode estar aumentando a sua ansiedade.

Mesmo que o home office não dure para sempre, faça o possível para se adaptar. Crie uma rotina, melhore seu espaço de trabalho, defina regras com as outras pessoas da casa sobre horários de silêncio e informe à empresa caso precise de algum equipamento para tornar a rotina mais tranquila. Tudo o que for preciso para que você sinta que está trabalhando da forma mais adequada, com os recursos que precisa.

Comece a meditar todos os dias

Mesmo que a meditação não seja muito a sua praia, dê uma chance para essa prática. Existem muitos estudos que comprovam os efeitos positivos de meditar para a redução do estresse e da ansiedade.

Para começar, recomendo baixar algum aplicativo com meditações guiadas, como o InsightTimer, Lojong ou HeadSpace, por exemplo.

Faça exercícios

Para quem está em cidades nas quais ainda não é recomendado praticar exercícios ao ar livre e em que academias estão fechadas, será preciso improvisar – mas de forma alguma parar de se exercitar.

A rotina no home office é muito mais sedentária e acabamos liberando pouca endorfina, o hormônio do bem-estar. Trinta minutos diários de alguma atividade física já tem efeitos significativos no humor!

Controle a respiração

Nos momentos mais críticos de ansiedade, pare para verificar sua respiração. Faça longas inspirações e expirações por dois minutos e veja o efeito que isso tem para o corpo.

Esta atitude tem efeitos tanto físicos quanto mentais para você conseguir aliviar a tensão.

Tenha um hobby longe das telas

Nosso lazer mudou muito durante a quarentena e, certamente, ficar apenas mudando de uma tela para a outra não contribui para reduzir a ansiedade.

Tente encontrar outras atividades que possam ser feitas em casa, como montar um quebra-cabeças, escrever um diário, desenhar, cozinhar… existem várias práticas que podem tirar sua mente do trabalho e do avanço da pandemia para preservar sua saúde mental. Encontre a que faz mais sentido para você!

Limite o consumo de notícias e tempo nas redes sociais

Falando em telas, um fator que aumenta muito nossa ansiedade neste período é o excesso de informações – verídicas ou não – que chegam através da televisão, da internet, dos grupos e das redes sociais.

Existe inclusive um termo para isso: infodemia, uma pandemia de informações.

Você não precisa se alienar de tudo o que está acontecendo, mas dá para reduzir o tempo de consumo de informações e, com isso, também a ansiedade.

Reserve um tempo diário para ver notícias e limite a participação nas redes sociais – silenciar as notificações é um bom caminho para isso!

Coloque suas tarefas no papel

Aquela sensação de “tenho um milhão de coisas para fazer” leva a ansiedade nas alturas, não é?

Uma coisa muito simples para visualizar todas essas tarefas é listá-las no papel, definir quais são as mais importantes e ir cumprindo uma a uma, sem expectativas em realizá-las no maior tempo possível.

Conte com ajuda profissional

Deixei algumas dicas aqui, mas não há medida melhor do que buscar o suporte de um profissional.

Cada pessoa possui gatilhos diferentes para a ansiedade e formas também diferentes de lidar com ela. E um psicólogo pode ajudar a lidar com tudo isso que está acontecendo.

Lembre-se de que a ansiedade não é um desafio que precisa ser enfrentado de forma solitária!

Nem tudo está no nosso controle, mas algumas coisas sim!

Boa parte da nossa ansiedade frente à Covid-19 está relacionada à nossa falta de controle. Então, precisamos mais do que nunca aceitar que não temos controle de tudo. Principalmente quando falamos de uma pandemia e de uma crise econômica global.

Mas existem sim coisas que você pode controlar: os cuidados para evitar a contaminação, a manutenção do isolamento social quando possível e a atenção à sua saúde mental estão entre elas.

Assumir o controle sobre esses fatores não irá magicamente reduzir a sua ansiedade, mas é um passo importante para que isso aconteça!

Esse post foi escrito por Júlio Paulillo, CRO do Agendor, uma plataforma de CRM e gestão comercial, que funciona como um painel de controle e assistente pessoal para equipes de vendas.

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