“Conte-me as histórias que contas a ti mesmo e te direi quem és.”

Qual é a história que você está se contando?

Esta é uma pergunta que tenho me feito com frequência.

O tempo inteiro estamos contando histórias. Principalmente para nós mesmos, dentro da nossa cabeça.

Quando as coisas vão bem, qual é a sua história?

Quando as coisas vão mal, qual é a sua história?

Temos uma história para cada situação importante da nossa vida.

No que acreditamos, em quem votamos, em quem não votamos, porque fazemos as coisas de um jeito e não de outro, de quem gostamos e de quem não gostamos, porque temos este corpo, porque estamos nesta situação, porque temos dinheiro/saúde/amor/XXX (preencha livremente com o que quiser) ou não temos, porque os outros têm dinheiro/saúde/amor/XXX ou não tem, que tipo de lugar frequentamos, que lugares não frequentamos, que bebidas tomamos (e quanto), que comidas comemos (e quanto), o que é certo, o que é errado, o que é certo mas a gente não faz, o que é errado e mesmo assim a gente faz.

Temos uma história para nosso relacionamento com pai/mãe/família, com relacionamentos, com pessoas importantes da nossa vida.

Qual é a função ou importância de “X” na sua vida? (Substitua X por dinheiro, saúde mental, física, espiritualidade, amor, dinheiro, lazer, sexo e vai ter conversas muito mais interessantes e relevantes do que o normal).

E todas as respostas serão HISTÓRIAS – não no sentido de coisas que aconteceram, mas no sentido de que foram criadas como narrativa organizada (mais ou menos…) para tentar explicar (mais ou menos…) alguns de nossos sentimentos, comportamentos, atitudes e reações.

Muitas dessas histórias você nem questiona mais – estão com você desde criança e fazem parte de quem você é. Mesmo tendo acontecido anos atrás. Mesmo você sendo uma criança, com o entendimento e visão de mundo que uma criança tem. (Não é que está errado – se você era criança obviamente sua lembrança será infantil. Entretanto, precisamos entender isso e colocar na perspectiva correta, com um olhar mais maduro e equilibrado agora que o tempo passou).

Surge para mim sempre uma dúvida, e daí a reflexão de hoje… e se não essas histórias não forem exatamente assim? E se você só tinha uma parte da história?

Eu sou assim porque…. XYZ” é uma posição muito familiar no mundo. Note que XYZ é uma história.

Meus problemas não são meus de verdade, são apenas a resposta a forças externas incontroláveis.

E criamos uma história para nos justificar.

Como liderança isso é muito forte também.

Temos uma história como líderes sobre sobre porque nossa equipe é assim, porque temos estes resultados, o que temos de positivo, o que está faltando, o que precisa melhorar.

Quando vamos contratar alguém, estamos contando uma história.

O candidato ou candidata também está contando uma história.

Quando tentamos vender para alguém estamos contando uma história.

Quando o cliente compra contamos para nós mesmos e para os outros um tipo de história.

Quando ele não compra, quando ele reclama, quando ele nos troca pela concorrência, também criamos e contamos histórias.

Quando batemos a meta contamos uma história. Quando não batemos contamos outra.

Vale sempre a pena parar para refletir, nestes momentos, em quais são as histórias sendo contadas.

Qual é exatamente a narrativa, o roteiro?

Toda história reforça algo. Ou não seria uma história.

Somos, no final das contas, a soma das histórias que contamos e que nos contamos.

E contamos estas histórias porque acreditamos que sejam verdade. Porque, no fundo, nos dão segurança e uma justificativa.

E se elas não fossem 100% verdades? E se alguma das histórias que você criou não está correta ou não é verdade?

Essa é a pergunta que eu tenho me feito.

Qual é a história que estou contando? O que ela reforça, o que ela está me dizendo, para onde está me levando, que tipo de energia cria, que tipo de emoção estimula, que tipo de comportamento direciona?

Ao entender que você é quem controla a narrativa, o roteiro da história, ao entender que é você quem escolhe o vilão ou vilã, o herói ou a heroína mas, principalmente, a moral da história – o que aprendemos, o que ficou, o que levamos como bagagem, o que é útil e o que não é… você entende que tem muito mais controle da sua vida e dos seus resultados.

A frase de Maquiavel que diz “diga-me com quem andas e te direi quem és” acho que pode ser facilmente adaptada para “conte-me as histórias que contas a ti mesmo e te direi quem és”.

Outro dia perdi um jogo de tênis que estava praticamente ganho.

Saí pensando que era o vento, a quadra, minha raquete, a química com meu parceiro, o fato de não ter dormido bem na noite anterior.

Todas histórias corretas, mas falsas. Poderia facilmente me justificar e enganar contando para mim mesmo e para quem quisesse ouvir todas as desculpinhas esfarrapadas que eu tinha.

Mas a verdade é que faltou coragem num ponto decisivo. Fui conservador demais, fugi das minhas características, encolhi o braço. E perdemos.

Sim, estava ventando, a quadra era diferente, a raquete é nova, o parceiro complicado. Mas nada disso é a causa real. Só desculpas, que poderiam facilmente virar histórias.

Quando saí da quadra, fiquei pensando, como sempre tenho feito: “Ok, qual é a história?”.

Note como a lição muda e o ajuste/crescimento fica claro quando você muda a história. Deixa de ser o mundo para ser como e o que EU posso fazer.

Uma coisa é eu contar para mim mesmo que perdi por causa do vento.

A outra é eu assumir que a história real é que encolhi o braço.

Esta é uma das reflexões finais que devo fazer no último dia da ExpoVM, que acontece dias 15 e 16 de Outubro, semana que vem, em SP.

Devo apresentar uma série de perguntas/questionamentos mais filosóficos, sobre como lidar com o que vem pela frente nos próximos anos e essa é uma delas.

Não acho que exista liderança correta e efetiva sem fazer as perguntas certas e sem contar as histórias que precisam ser contadas.

Inscrições impreterivelmente até 6ª feira, 11/10. www.expovendamais.com.br

Enquanto isso, fica a pergunta e a reflexão: quais são as histórias que você está contando?

Seja honesto/a e autocrítico quando se pegar contando mais uma história da próxima vez que o fizer. Pode ser que descubra algo profundo e importante.

Abraços reflexivos, boas vendas,

Raul Candeloro
Diretor