As 3 virtudes aristotélicas

Uma vez por mês, minha família e eu participamos de um encontro de casais (mais os filhos) para um jantar.

Para fazermos algo diferente, definimos que cada jantar teria como tema um país. Isso nos faz estar constantemente descobrindo coisas novas, experimentando comidas e bebidas diferentes, aprendendo e expandindo nossos horizontes.

Na semana passada o jantar foi aqui na nossa casa. A Marília escolheu como tema Aruba, cujo slogan é “One Happy Island”, ou uma ilha feliz.

O assunto do jantar passou então não ser apenas a história da ilha (que é bem interessante, você pode ler mais sobre ela aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Aruba), colonizada por espanhóis, ingleses e holandeses e sua língua própria chamada Papiamento (língua oficial do Hopi Hari também), mas happiness em geral, ou o conceito da felicidade e sua busca.

Antes do jantar assistimos ao documentário Happiness, da Netflix, e uma das principais pérolas que saiu foi a diferença entre motivadores intrínsecos e motivadores extrínsecos.

A própria definição de intrínseco e extrínseco já dá uma mostra de por onde vai nossa conversa hoje…

Intrínseco – adjetivo

  1. que faz parte de ou que constitui a essência, a natureza de algo; que é próprio de algo; inerente.
  2. que é real; que tem importância, significação por si próprio, independentemente da relação com outras coisas.

Os três principais motivadores intrínsecos são:

  1. Crescimento pessoal.
  2. Relacionamentos próximos (amigos e família).
  3. Senso de comunidade.

Extrínseco – adjetivo

  1. que não pertence à essência de algo, que é exterior.
  2. que é convencional ou fictício.

Os três principais motivadores extrínseco são:

  1. Dinheiro.
  2. Imagem.
  3. Status/popularidade.

Todos os estudos feitos até hoje sobre felicidade mostram, por exemplo, que dinheiro traz felicidade sim – mas só até você chegar ao que seria basicamente classe média. A partir daí, ganhar mais dinheiro não faz absolutamente nenhuma diferença. Muda a casa, muda o carro, muda a roupa, mas felicidade e satisfação com a vida não mudam.

Por isso separei ontem e publiquei no meu Facebook uma frase de que gostei muito: “Mais do que o medo do fracasso, você deveria ter medo de ser um sucesso em coisas que não importam de verdade na vida.” Francis Chan

Tem muita gente por aí presa ao modelo de perseguir motivadores extrínsecos (dinheiro, imagem, sucesso, popularidade). A ciência mostra que só os motivadores intrínsecos trazem a verdadeira realização: crescimento pessoal, relacionamentos e pertencer a uma comunidade com a qual se identifica.

Interessante notar que quem é motivado pelos motivadores intrínsecos consegue muitas vezes alcançar os extrínsecos também.

Já o contrário raramente acontece.

Tem muita gente com as prioridades totalmente de cabeça para baixo. Pior: como focam de forma exagerada nos motivadores extrínsecos, ficam sem tempo, condições, energia de prestar atenção aos intrínsecos. Aí a performance profissional cai, afeta o pessoal e entra num ciclo vicioso complicado de sair.

Qual a solução?

Gradatim Ferociter (tirei de uma entrevista do Jeff Bezos falando sobre seus planos de colonizar Marte). Gradatim Ferociter. Passo a passo, ferozmente.

Uma maneira prática de fazer isso é olhando para você mesmo, procurando sempre se desenvolver nas três áreas das virtudes aristotélicas que realmente interessam.

Aristóteles criou o que ele chamou de “provas artísticas” para convencer uma audiência e, como a audiência mais importante no mundo que existe em termos de desenvolvimento pessoal é a que tem dentro de você, sua conversa interior com você mesmo, eu recomendo as três provas artísticas do Logos, Pathos, Ethos como lógica pessoal de desenvolvimento também. Podemos então encará-las como virtudes.

  • Logos: estou melhorando meus conhecimentos?
  • Pathos: estou melhorando minhas emoções?
  • Ethos: estou melhorando meu caráter?

(Comentário rápido: você não acha que teríamos um país melhor se isto fosse ensinado às crianças nas escolas? Comentário rápido 2: você não acha que teríamos um país melhor se os políticos fizessem este exercício com frequência?).

Para terminar, um exercício rápido de revisão semanal, baseado na metodologia do coach canadense Craig Ballantyne para uma semana perfeita, que aplica na prática e de maneira simples todos os conceitos que mostramos acima.

Use pessoalmente ou com sua equipe, caso seja líder – não só vai melhorar o rendimento do seu time, como aumentar muito o engajamento!

Exercício de revisão semanal:

  1. Que nota você daria para a semana que passou?
  2. Qual foi sua principal prioridade ou meta na semana passada?
  3. Você alcançou essa meta, conseguiu dar atenção às prioridades? Se não, por quê?
  4. O que aprendeu na semana passada? Alguma grande lição?
  5. Qual foi o principal ponto positivo profissional da semana passada?
  6. Qual foi seu maior obstáculo?
  7. Como é possível resolver isso? O que vai fazer para isso?
  8. Qual foi seu principal ponto positivo pessoal da semana passada?
  9. O que precisa acontecer e o que você precisa fazer para que esta semana seja um sucesso?
  10. No que você precisa de ajuda e com quem você pode conversar e pedir ajuda?

Abraços intrínsecos e uma boa semana,

Raul Candeloro
P.S. Logos, Pathos, Ethos! Por um Brasil melhor!