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Deixe eu lhe confessar uma coisa. Estou preocupado. Na verdade, muito preocupado. Já não são poucas as vezes que leio articulistas advogando a incompatibilidade do sucesso em vendas com o sucesso familiar. Para não ficar vagueando, feito cachorro quando cai de caminhão de mudança, veja as duas próxima citações, extraídas de uma revista especializada na área:
1) "...Lembra-se da sua disposição para superar os obstáculos iniciais? Quando trabalhava muito e dormia pouco? Quando faltava tempo para buscar as crianças na escola? Revigore seu entusiasmo...";

2) "...Motivados para estabelecer e atingir metas, muitas vezes criamos objetivos conflitantes. Quando você decide ''''''''Este mês vou passar mais tempo com a minha família'''''''', ao mesmo tempo que decide ''''''''Este mês vou fazer 15% a mais de contatos'''''''', obviamente um conflito vai acabar surgindo...".
Pelo amor de Deus, pára o mundo que eu quero descer. Isso é pura asneira. Em primeiro lugar, e logo de saída, trabalhar muito ou mais, não tem nada a ver com trabalhar bem. Quando começamos nossas carreiras, geralmente, tínhamos que correr muito mais, porque tínhamos que superar nossa ineficiência, nossa incapacidade de pensar e agir estrategicamente. Por isso, correr muito significava aumentar as chances. Fazer 15% a mais de contatos, nem sempre é a solução. Pode até levá-lo a uma estafa, ou tirá-lo(a) do convívio da família, piorando de vez sua performance de vendas. Se você continuar contactando mal, em decorrência de uma prospecção mal feita, desprovida de estratégia, pode ficar certo que o único caminho é aumentar o número de contatos, independente se são bons ou não. Isso é como o técnico que diz para o centroavante sem pontaria, "Chute a maior quantidade possível, pode ser que uma delas entre".

Goste você ou não, o Romário é o que menos chuta no time do Vasco, e mesmo assim é o artilheiro da Taça Guanabara. E assim, se você continuar primando sua conduta em vendas pela filosofia operacional, não estratégica, sem dúvida alguma será incompatível mais tempo investido na família.

Se são 24 horas por dia para todo mundo, por que alguns conseguem, e outros não? Com certeza não tem nada a ver com trabalhar mais ou menos, mas tudo a ver com ser mais ou menos eficiente. Tem a ver com identificar melhor o perfil do prospecto de seu produto ou serviço. Com fazer a aproximação e abordagem mais impactantes, mais provocadoras. Com entender melhor o prospecto contactado, e reconhecer melhor suas necessidades. Com mostrar melhor como seu produto ou serviço solucionam e atendem os problemas de seu prospecto, se possível, personalizando-o.

Tem a ver com deixar o prospecto numa condição que só resta a ele dizer "Ok! Tá fechado". Tem a ver com acompanhá-lo em sua experiência de uso do produto ou do serviço, e sugerir ajustes ou resolver problemas não previstos. Tem a ver com pedir ao cliente satisfeito que lhe sugira outras pessoas que poderiam estar, agora, tão satisfeitos quanto ele. Tem a ver com fazer a aproximação e abordagem... O resto você já sabe. Isso tudo foi dito quando vemos a questão pelo olho técnico. Ainda falta o olho humano na questão.

Já tentei descobrir, mas, até hoje, ainda não encontrei onde fica o botão que liga e desliga nossas condições de pais e mães, filhos e filhas, maridos e mulheres, mesmo quando estamos em nossa atividade profissional. Uma das grandes asneiras da revolução industrial, que até hoje alguns feitores, digo gerentes, gostam de perpetuar é dizer que "profissional que é bom não leva problemas de casa para o trabalho, e vice-versa". Ora mais! Vá perguntar o porque daqueles ataques tiranos desses senhores de engenho, para ver se, muitas vezes, não são esses ataques simples reflexos de desequilíbrios familiares.

Acho engraçado. A gente diz que a melhor forma de combater a rejeição na venda é evitando-a, tentando vender o que o cliente precisa, e não o que a gente quer. E por que é que não admitimos que a melhor forma de se combater conflitos familiares é evitando-os, estando presente na família, acompanhando e interferindo diretamente na formação dos filhos, investindo no relacionamento com o companheiro. Arrepiei-me todo quando um vendedor disse-me que perderia a mulher, mas não perderia uma grande venda. Sinceramente, não é esse o modelo de sucesso que acredito e que prego. Aliás, sou capaz de afirmar contundentemente que não vale à pena. Conquistamos nosso dinheiro - ninguém ganha dinheiro, até em loteria você teve que, pelo menos, investir no bilhete - para que ele nos sirva naquilo que nos dá prazer, mas que também nos proporcione frutos doces. E alguém aí, teria a coragem de levantar a mão para dizer que filhos e relacionamentos sadios não são frutos maravilhosos, que, quando bem vividos, preenchem e equilibram profundamente nossas sedes emocionais, sentimentais?

E por que isso é importante na área de vendas? Simplesmente porque não acredito que possa existir sucesso financeiro, se não houver equilíbrio nas outras seis dimensões de um indivíduo. São elas, em ordem de prioridade: Espiritual, Familiar, Mental, Física, Social, Profissional, e, por fim, Financeira. Você até pode conquistar um bom dinheiro em vendas, mas a questão é que não poderá mantê-lo, por que terá que gastá-lo com amante (desequilíbrio familiar), com a saúde abalada (desequilíbrio físico), com os supérfluos (desequilíbrio mental, verdadeiros valores), e assim vai.

Caro leitor, não programe sua cabeça com software obsoleto. Se lhe perguntarem se é compatível ser um grande vendedor e um grande pai ou mãe, não responda sim. Responda "é necessário". E complete: "Estou comprometido com minha felicidade. E eu jamais seria um vendedor feliz, sendo um pai ou mãe medíocre". Assim, deixe seu celular no modo "reunião". Mas se for sua filha, peça licença, atenda carinhosamente, não berre. Prometa que ligará de volta para a mesma em seguida. Certamente seu cliente verá em você um ser humano. Busque o equilíbrio e VendaMais! Até a próxima. Sim, não esqueça de ligar para sua filhota. Ou você não acha que credibilidade se conquista?