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Em setembro de 2004, a Renault lançou o modelo Logan, destinado a ser um meio de transporte confiável em economias emergentes. Construído na fábrica da Dacia, marca da Romênia comprada pela Renault em 1999, o carro oferece espaço para cinco passageiros e um razoável espaço para carga. O chefe da equipe de designers do modelo disse à revista Business Week que o Logan foi criado para ser “um carro que oferece valor pelo dinheiro do cliente, muito espaço e o visual clássico de um Sedã”. Com todas essas características, o banco alemão Deutsche Bank estima que a Renault gasta para produzir cada Logan, apenas 1.089 dólares; seus concorrentes europeus não deixam a fábrica sem carregar um custo de no mínimo US$2,5. Guerra de preços – Enquanto a tecnologia aumentava constantemente o valor dos automóveis, nos Estados Unidos e Europa, os preços continuavam os mesmos – isso quando não aumentavam. E assim foi por muitos anos. Carros como o Logan quebram esse padrão de preços e dão ao cliente escolha para as camadas mais baixas da população: um Sedã espaçoso por menos de US$10 mil. A julgar pela resposta entusiasmada do pessoal da Europa, as pessoas gostam dessa opção. Ou seja, um carro básico, que leva pessoas com conforto de um lado para outro, sem nada em excesso. E há muitas e muitas pessoas como Cuypers que sentem que não precisam de tudo o que a indústria automobilística oferece nos dias de hoje. Eles querem espaço, mas não ligam tanto assim para freios “antiblocantes”, ajuste do rádio no volante ou vidros elétricos.
Inicialmente, a Renault pretendia conquistar o mercado de países como Romênia, Rússia e Polônia, em que a maioria das pessoas não tem dinheiro para sustentar um carro com o preço praticado nos países mais avançados da União Européia. Assim, o Logan custava por volta de US$6 mil, enquanto um Ford Focus ou Volkswagen Golf não saía por menos de US$18 mil. E isso não quer dizer um carro espartano. O Logan conta com duas opções de motores, 1.4 e 1.6. O painel de instrumentos simples tem pequenos detalhes como uma moldura que imita alumínio em volta do conta-giros e do velocímetro, e, mais surpreendente, tem uma capacidade de carga de 510 litros.
Outras marcas também começam a se interessar por esse mercado, mas estão longe do que a Renault conseguiu, o MG Rover CityRover, por exemplo, tem quatro lugares, 220 litros de porta-malas, US$5 mil mais caro que o Logan. E assim, com o Chevrolet Matiz, Volkswagen Fox e Kia Picanto: na tentativa de diminuir o preço, reduzem as dimensões do automóvel. O Logan, ao contrário, dá ao motorista e passageiros um espaço generoso.
O mercado fala – Logo após o lançamento no Leste Europeu, a Renault foi surpreendida com pedidos de clientes de outros países. Então, em junho de 2005, a fábrica francesa colocou o Logan à venda na França, Alemanha e Espanha por US$9,3 mil – a metade do que custam os concorrentes. O carro, aparentemente, é um sucesso. Em meados de julho, os franceses se reuniram na fábrica da Romênia para comemorar a fabricação do Logan número cem mil, superando em muito as previsões mais otimistas. Enquanto isso, na França, quem quiser o carro tem de enfrentar uma fila de espera de três meses.
Nos próximos anos, o Logan vai ganhar o mundo. Fábricas da Renault na Rússia, Marrocos e Colômbia começam a ser preparadas para produzir o modelo. A Renault espera vender um milhão de Logans pelo mundo, em 2010. Para efeitos de comparação, o automóvel mais vendido dos Estados Unidos, a picape Ford F-150, vendeu 400 mil unidades em 2004 (nota da redação: no Brasil, a posição fica com o Volkswagen Gol, líder tanto do ranking de carro mais vendido no País como no de automóvel mais exportado. Ao todo, em 2004, foram comercializados 285.444 Gols).
Contra as tendências – O design e a forma de se produzir um Logan vão contra muitas das mais recentes ações tomadas por montadoras de veículos na Europa, Estados Unidos e Japão:
O principal argumento de venda do Logan é o seu preço. Veja o que diz Michel Cuypers, aposentado francês e uma das muitas pessoas que compraram um Logan: “Para mim, um carro é apenas um meio de transporte. O Logan é uma ideia de gênio”. A estratégia de vendas do Logan pode então ser definida:
matéria incluída em: 01/02/2010
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Eric Mankin é o diretor executivo do Innovation & Corporate Entrepreneurship Research Center (Centro de Pesquisa em Inovação e Empreendedorismo Corporativo) do Babson College Visite o site: www.babsoninsight.com
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